Universidade Federal de Santa Catarina

Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Tecnologia da Edificação I

Professor Anderson Claro

 

 

ARQUITETURA DE ENCOSTAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Acadêmicos:

Gabriel Pedrotti

Heloísa Fernandes

Marcio Thomasi

Vitor Sadowsky

 

Florianópolis, 10 de julho de 2008
Introdução

 

            Desde a pré história, o homem vem se adaptando para habitar as locações com  características mais diferentes, bem como ele adapta esses locais para as suas necessidades. A habitação de encosta também não é uma coisa comtemporânea, e desde os tempos do home-das-cavernas, o seu local de moradia já era em uma encosta. Porém, hoje em dia é difícil existir uma habitação muito confortável em uma carverna, e em contrapartida, as habitações que seguem as curvas de nível do terreno, ou mesmo fazem grandes alterações nelas são muito frequentes. Em cidades com Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, Ouro Preto ou Rio de Janeiro, que apresentam maciços de morros de uma geografia acidentada, é comum encontrar grandes porções habitadas em áreas de encostas. Em todas as cidades citadas anteriormente, podemos perceber a grande diferença entre as construções regulares e as irregulares, as que dispões de verba para serem construídas, e as que não dispõe de nenhuma.

            Há uma gama variada de técnicas de construção para diferentes tipologias de terrenos acidentados, e nos casos das construções irregulares e de baixa renda, normalmente não há o emprego de técnica nenhuma, o que acarreta numa série de complicações e porblemáticas frequentes em dias de chuva, por exemplo.

            O homem possui um espírito desafiador e de constante superação de seus desafios. Constuir em áreas inclinadas não é fácil e muito menos simples, mas a busca pela perfeição a o aprimoramento das técnicas permitiu ao homem ocupar terrenos muito diferentes ao longo do tempo.

 

 

1. Práticas Urbanas nas Encostas

 

          Inicialmente, as intervenções em morros eram realizadas nos mesmo padrões de planejamento dos assentamentos de planícies: aplainando o topo de morro e ignorando as especificidades de um projeto para área de encostas. Esta visão produziu projetos inadequados ao meio físico utilizado como assentamento.

          A partir da década de 80, através de ações de urbanização em assentamentos pobres e em face à carência de recursos enfrentada pelos governos estadual e municipal, as intervenções publicam em áreas de morro assumem novas características:

- São intervenções isoladas, sem realizar um tratamento ambiental que integre toda a área;

- Estão vinculadas ao clientismo, ou seja, ao atendimento de pleitos individuais dos moradores por meio de intermédio de políticos;

- Enfatizam a construção de muros de contenção isolados;

- São marcadas pela situação de emergência no tratamento das encostas, que é agravada no período de chuvas com deslizamento de encostas.

         No início dos anos 90, contudo, surgiu uma nova forma de intervenção, que introduziu a visão do tratamento em conjunto, envolvendo toda uma unidade de planejamento. As ações procuravam ser integrada e envolviam a implantação de sistema de macro e mucro-drenagem, estabilização de encostas, obras de escadarias e novas habitações.

          O que se mostra comum nestes empreendimentos públicos habitacionais é o significativo impacto conferido ao meio físico natural. Estas intervenções são geralmente conseqüências da luta pela moradia das classes mais pobres que pressionam o Estado visto como único meio possível de alcançar este direito. Uma vez que as invasões se dão em áreas publicas ou privadas, associadas às manifestações de massa exigindo soluções do governo, cabe a este uma decisão política de como lidar com o problema: a retirada compulsória da população e a negociação.

          A história nacional recente foi marcada por uma política evolutiva de proximidade com o cidadão. Expressa na democratização do Estado, na descentralização administrativa, na municipalização da gestão publica, na ascensão dos movimentos de classe e na participação popular, esta nova visão política tornou a retirada compulsória uma alternativa a priori indesejada pelo poder publica. A negociação passou de um mero jargão político para uma ação pratica cada vez mais comum. Sua gênese, consolidada principalmente nos anos 80, foram os movimentos populares apoiados principalmente por partidários de esquerda, pela igreja católica e por organizações civis.

          Os empreendimentos públicos habitacionais são, portanto, conseqüência de uma demanda emergencial da sociedade e não de uma estratégia de planejamento. Seja pelo caráter de urgência, seja pela falta de visão estratégica, estas intervenções não tem se mostrado eficientes a longo prazo. A deterioração do projeto original, a descaracterização dos espaços públicos e privados e as novas condições de ocupação estabelecidas nestes locais, sugerem esta condição. Por outro lado, situações de risco se multiplicam, descontruindo o paradigma de que risco se soluciona simplesmente com obra.

 

 

2. Riscos nas encostas: obra do acaso ou do homem?

 

            A palavra de risco é associada imediatamente ‘a condição de perigo, indica uma ameaça física para o homem e/ ou para o meio ambiente. O estabelecimento de situações de risco nas encostas está associado ao desencadeamento de processos naturais que possam provocar perdas materiais ou de vida humana. Encostas não habitadas que sofrem processos naturais não representam uma área de risco, mas apenas o ambiente natural em busca de um estado de equilíbrio. O homem é portanto a razão da existência de áreas de risco já que as transformações do meio são fenômenos absolutamente naturais e muitas vezes previsíveis. Em sítios ocupados, podemos diferenciar os tipos de risco quanto à sua origem, e segundo o manual de ocupação de morros da região metropolitana de Recife, os riscos podem ser naturais quando resultam de eventos espontâneos da natureza ou induzidos quando decorrem da intervenção humana.

            Os principais processos naturais de desestabilização de encostas são erosões, rastejos escorregamentos, tombamentos e corridas de massa.

 *Erosões: tratam-se do desprendimento e transporte de partículas do solo sob a ação da água

 *Rastejos: Caracterizam-se por movimentos lentos que afetam grandes áreas, associados à alterações climáticas.

 *Escorregamentos : São movimentos rápidos de solo ou solo e rocha potencializados pela chuva ou sobrepeso na encosta.

 *Quedas e Tombamentos: Referem-se ao desprendimento de blocos de solo ou rocha de um maciço, seguido da queda livre ou rotação (tombamento) da parte destacada.

 *Corridas de massa: Ocorrem em situações de chuvas muito intensas, quando há um grande aporte de materiais para a drenagem. Cria-se um curso de lama de alto poder destrutivo e de longo alcance.

            Entre as intervenções humanas mais comuns na estabilização das encostas estão a retirada de vegetação, a movimentação de terra, alteração da drenagem natural, introdução de novas fontes de água (fossas negras, vazamentos etc.) e deposição de lixo.

            As atividades humanas que modificam o ambiente natural são comuns em todas as cidades, sendo elas resultantes das necessidades de prover alimento, abrigo, segurança, mobilidade e a constante demanda por espaço. Para os moradores de morros, esta necessidade de espaço é ainda mais conflitante, pois a constante falta de recurso (técnico e financeiro) vais de encontro às exigências construtivas do meio físico ocupado. A população enfrenta, com o que dispõe, um sitio de equilíbrio frágil, muitas vezes desconhecendo o perigo que correm.

            Segundo Sonia Afonso (1999) “as encostas brasileiras têm sido ocupadas ao acaso, carentes de projetos [...], gerando graves problemas urbanísticos, paisagísticos e ambientais”. Normalmente os danos provocados ao meio ambiente são associados à produção informal da habitação, no entanto, o poder público não pode se eximir da responsabilidade, enquanto gestor urbano, sobre estes espaços. O que ocorre é que ambos os agentes se acomodam em sua situação, os moradores na luta pela inserção no mercado, e o poder público na administração da cidade e dos serviços urbanos.

            A maior disponibilidade de recursos e o compromisso com a qualidade de vida dos cidadãos trazem o poder público para o primeiro plano na responsabilidade quanto à alteração do ciclo de risco estabelecido nestas áreas. O estado precisa rever seus paradigmas de planejamento e enfrentar os efeitos de anos de omissão. Neste sentido, Afonso (1999) expõe que enquanto a população cresceu, as alternativas técnicas e políticas se cristalizaram, deixando a critério da população a solução para o problema da moradia.

            As soluções adotadas, de um modo geral, seguiam a lógica do plano e utilizavam tipologias habitacionais padronizadas independentes das especialidades do sítio.

            A respeito deste vício projetual, MASCARÓ (1994) coloca que “todo terreno natural onde será implantada uma urbanização se constitui numa realidade tridimensional. Infelizmente, na maioria das vezes, os projetistas não levam em conta as riquezas das variações em altura da área”.

            Um exemplo clássico do desajuste projetual para encostas é o Conjunto Santa Etelvina, construído pela COHAB/SP, em 1982, na zona leste de São Paulo. A fim de implantar 40.000 unidades habitacionais, no local, foi realizada uma movimentação de terra exorbitante, ultrapassando os 5.000.000m3. A desestabilização provocada pela exposição do solo mais frágil às chuvas desfigurou a topografia criada pelo empreendimento.

            Entre os principais problemas verificados, estão: leitos de rua totalmente erodidos; sistemas de abastecimento de água, drenagem e acessos destruídos e unidades habitacionais comprometidas. “Na época de sua consolidação, estimou-se que o custo de cada residência, ante as obras de recuperação necessárias, teria alcançado o valor de um apartamento na Avenida Paulista, área nobre de São Paulo”. Este caso poderia ser encarado como resultado da inexperiência no tratamento de áreas acidentadas ou uma exceção malograda pelo acaso, mas o que se percebe, na literatura especializada,é o uso abusivo destes paradigmas como uma pratica projetual freqüente. Spirn (1995), retrata bem esta situação quando afirma que o ``o homem ao transformar o ambiente natural pré-existente, apesar de toda técnica disponível, tem-se mostrado incapaz de compreender a lógica da composição e da ordenação dos mesmos´´

            Algumas experiências realizadas, a partir dos anos 90, se destacaram por implementarem novas práticas de urbanização em morros .O maus desempenho das experiências anteriores e as novas condições políticas certamente colaboraram na mudança de visão dos gestores públicos. Entre as mudanças positivas mais significativas estão a incorporação da encosta como elemento do projeto, a maior variação de tipologias habitacionais e a adoção da microbacia como unidade de planejamento. No entanto, de uma forma geral, os técnicos continuam cometendo os mesmos erros há quase cinqüenta anos. De acordo com relatório desenvolvido pela Fundação de Desenvolvimento Municipal de Pernambuco – FIDEM (2003), as principais características do modo de ocupação planejada são:

 * Adoção de modelo de ocupação nem sempre adequado as características dos morros;

 * Adoção de soluções de ocupação que implicam em processos de terraplanagem generalizado;

 * Remoção da cobertura vegetal;

 * Baixo padrão construtivo das moradias;

 * Ausência de tratamento das áreas adjacentes à ocupação, propiciando invasões; e

 * Ausência de controle pelo poder publico sobre a expansão e o adensamento das ocupações.

 

3. Critérios de Urbanização X Risco

 

            Diante do exposto, podemos dizer de uma forma geral, que os critérios de projeto estabelecidos foram aplicados, no entanto nem todos se mostraram adequados à situação, Seja pela interpretação restrita dos principio projetual (é o caso do limite dos lotes na via para evitar futuras invasões), seja pela visão urbanística da época (que priorizou o veiculo de passeio), o projeto não atendeu plenamente à população e por isso sofreu profundas modificações ao longo dos anos.

            Duas idéias foram a base do projeto: a criação dos platôs e a hierarquização do sistema viário ( tanto o projeto quanto o projetista, em entrevista, deixaram claro isso). Os platôs foram vistos como único meio seguro de ocupar o morro, pois a encosta não deve ser ocupada, segundo alguns depoimentos coletados entre os técnicos envolvidos em sua execução. Estes profissionais de empresas publicas e técnicos envolvidos em sua execução. Estes profissionais de empresas publicas e privadas afirmaram que a solução do Buriti foi a melhor que poderia ser dada e seu problema era o custo. De fato não se pode negar que o projeto do Buriti promoveu uma ocupação estável em um sitio altamente acidentado, mas como vimos, a um custo financeiro e ambiental que põe em dúvida a qualidade presumida da proposta.

            A movimentação de terra do Buriti foi em tordo de 2.000.000m3 para a construção de 1.529 unidades, o que significa uma movimentação de terra na ordem de 1.308m3 por unidade (ilustração 55). A utilização deste modelo mostra a resistência contra a adoção de alternativas menos agressivas ao meio físico, como unidades escalonadas ou sobrepostas, geralmente acusadas de serem mais caras, argumento que não se aplica diante do volume de recursos gastos no Buriti.

            Se abstrairmos o imenso custo envolvido na proposta e na sua recuperação, podemos afirmar que os taludes vegetados se mostram eficientes no tratamento do risco, uma vez que não há ocorrências em lotes onde a encosta foi preservada. No entanto, a definição projetual do uso destes taludes e das áreas remanescentes deixou margem para práticas inadequadas, quando não perigosas, que paulatinamente vêm promovendo o retorno do risco para a área.

            O sistema viário não atendeu sua função principal: promover o acesso dos moradores aos serviços e à qualidade de vida da cidade formal. A presença de vias públicas em um conjunto não representa apenas a circulação de veículos e infra-estrutura, mas abre espaço para a humanização da paisagem através das arborização e da instalação de equipamentos de lazer. A literatura mostra que vias exclusivas de pedestre, especialmente em áreas de baixa renda, quando bem tratadas urbanisticamente, potencializam o convívio e a contemplação do lugar (ALHEIRAS ET AL, 2003). Estas atividades estimulam a relação entre vizinhos e a vigilância coletiva, meios importantes de prevenção do risco. O projeto Buriti adotou uma estratégia inversa, instalando ruas áridas e pouco convidativas à permanência, priorizando o acesso de veículos de passeio praticamente inexistente no local. Por outro lado, por suportarem apenas carros leves, não se prestam à circulação de veículos prestadores de serviços imprescindíveis na prevenção do risco e na manutenção da qualidade de vida local.

            Apenas das falhas no projeto do sistema viário, observamos que as soluções em outros setores foram satisfatórias: é o caso do esgoto , da água e da drenagem, cujos problemas observados no seu desempenho estão associados a outros fatores que não a inadequação técnica e que serão analisados mais adiante. A Vila Nova Buriti foi sem dúvida um projeto de grande importância tanto por sua dimensão quanto por suas propostas urbanas. A oportunidade de desenvolver e executar uma proposta onde o morro foi considerado em sua totalidade era, no mínimo, inovadora na cidade. Porém, a análise de seus critérios projetuais mostrou que os planejadores de então procuravam resolver um problema imediato – ocupar de forma racional o morro – mas não trabalharam soluções que efetivamente facilitassem sua manutenção em longo prazo.

 

            Nota publicada pelo site da defesa civil de Itajaí:

Data:14/05/2007 - 11:06Título:Defesa Civil informa como agir para evitar problemas com deslizamentos de encostasDescrição:Dando seqüência à série sobre desastres da natureza e como evitar acidentes, a Defesa Civil de Itajaí, departamento da Secretaria de Segurança Comunitária e Trânsito, informa à população sobre como agir em caso de deslizamento de encostas.
   Deslizamentos são escorregamentos de materiais sólidos como terra, rochas, vegetação e/ou materiais de construção em terrenos inclinados, denominados encostas.
   Os deslizamentos vêm acontecendo freqüentemente nos últimos anos no Brasil. Isto devido ao crescimento desordenado das cidades com a ocupação de áreas de risco, principalmente em locais onde vive a população mais carente.
   Existem três principais fatores que influenciam na ocorrência de deslizamentos: o tipo de solo, o declive das encostas e a água de embebição. As épocas de maior ocorrência de deslizamentos são os períodos de chuvas. Os estados mais afetados pelo fenômeno são Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.
Os deslizamentos são responsáveis por inúmeras vítimas fatais e grandes prejuízos materiais.
  Como evitar?
   O risco de deslizamentos em encostas é muito alto, para evitá-los é preciso preservar a vegetação e, se a pessoa for construir em terrenos inclinados, é preciso um bom projeto de drenagem pluvial.
   Evitar vazamentos e consertá-los imediatamente. O ideal é construir canaletas.
   Não amontoar lixo em lugares inclinados porque eles entopem a saída da água e desestabilizam os terrenos provocando os deslizamentos.
   Não jogar lixo nas vias públicas ou barreiras, pois isso aumenta o peso e o perigo de deslizamentos.
   As barreiras de morros devem ser protegidas por drenagem de calhas e canaletas para o escoamento da água da chuva.
   Não fazer cortes nos terrenos de encostas sem a licença da prefeitura, para evitar o agravamento da declive.
   Em caso de deslizamentos em morros e encostas, coloque lonas plásticas nas áreas atingidas.
   As barreiras devem ser protegidas com vegetação de raízes profundas, gramas e capins que sustentam mais a terra.
   Em morros e encostas, não plantar bananeiras e outras plantas de raízes curtas, isso aumenta o risco de deslizamentos.
   Pode-se plantar, para que a terra não seja carregada pela água da chuva, pequenas árvores frutíferas, plantas medicinais e de jardim, tais como: goiaba, pitanga, carambola, laranja, limão, bambuzinho, acerola, hortelã, cidreira, boldo, gengibre, capim chorão, entre outras.
   Em morros de encostas não plantar mamão, fruta-pão, jambo, coco, jaca e árvores grandes, pois elas acumulam água do solo e provocam quedas de barreiras.
   Como perceber quando há risco de deslizamento?
   Quando há a presença de fendas, depressões no terreno, rachaduras nas paredes das casas, inclinação de troncos de árvores e postes e o surgimento de minas d’água.
     Quando há inclinação ou fissura em muros.

O que fazer?
   No caso de constatação desse risco, o ideal é avisar os vizinhos, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil sobre o perigo. A orientação dada pela Defesa Civil é que se convença os moradores a saírem de casa durante as chuvas em casos mais graves.
   É preciso afastar-se da área e tentar evitar que outras pessoas se aproximem.
   É possível ajudar o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil?
   Somente se solicitado, caso contrário, vários equipamentos e pessoas especializadas em salvamento necessitarão do local desimpedido.
   Não se arrisque sem necessidade, não entre no local do deslizamento, somente pessoas especializadas em salvamento devem entrar.
   Não permita que crianças e parentes entrem no local.
   Não conteste as orientações dadas.
 • A Defesa Civil atende a população 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nos feriados. Para mais informações, ligue para o número 199 e fale com o coordenador municipal da Defesa Civil, Plínio Felipe.

 

 

 

 

 

4. Classificação e análise das tipologias arquitetônicas

 

-Prisma regular incrustado: volume escalonado nos andares inferiores e externamente  formando um bloco regular. São soluções formais que se desenvolvem em degraus, acompanhando aproximadamente a declividade do terreno, com possibilidade de acesso,  tanto pelo nível superior quanto pelo nível inferior do lote. Pode estar apoiado diretamente  no solo ou sobre pilotis.

 

Referências arquitetônicas:

-Anos 1950 – Residência Antônio Ceppas, Jorge Machado Moreira (figura 1)

Análise:

-Minimiza os volumes de corte, transporte e aterro.

-Minimiza as obras de contenção.

-Insere-se com harmonia na topografia.

-Pequenos impactos na drenagem local.

-Se a ventilação for transversal ao bloco, esta é interceptada pelo volume do edifício.

-Se o volume for vertical, o impacto no terreno é menor, pois só impermeabiliza a área construída.

-Se a tipologia inserir trecho em pilotis favorece a ventilação no nível do solo.


Figura 1

 

 

- Prisma escalonado incrustado: volume totalmente escalonado. Cada pavimento ou

grupo de pavimentos que apresentam solução em “degraus” no volume externo.

Compreende os projetos desenvolvidos de forma escalonada, acompanhando a declividade

do lote, com acesso pelo nível superior ou inferior do lote, dependendo de sua posição em

 

Referências arquitetônicas:

-Residência Rio Branco Paranhos – Arquiteto João Batista Vilanova Artigas (figura 2)

Análise:

-Minimiza os volumes de corte, transporte e aterro.

-Minimiza as obras de contenção.

-Pequenos impactos na drenagem local.

-Se o volume não for verticalizado, a ventilação não é interceptada pelo mesmo devido ao escalonamento que acompanha a topografia.

-As circulações verticais podem estar setorizadas.

-Boa inserção na paisagem, pois o volume acompanha a topografia original do lote.


Figura 2

 

 

 

 

 

-Prisma oblíquo incrustado: solução em pequenos patamares, formando ambientes internos com cobertura inclinada. Acompanha a declividade natural do terreno e se apóia totalmente sobre o solo.

 

Referências arquitetônicas:

-Residência em Ilhabela – Arquiteto Marcos Acayaba (figura 3)

Análise:

-Minimiza os volumes de corte, transporte e aterro.

-Minimiza as obras de contenção.

-Pequenos impactos na drenagem local.

-Se o edifício não for alto, a ventilação não é interceptada devido ao volume, que

acompanha a topografia.

-Boa inserção na paisagem, pois o volume acompanha a topografia original. Figura 3


figura 3

 

-Com passarela de acesso na parte superior do volume: compreende os projetos que

utilizam a parte mais baixa do terreno (apoiado no solo ou sobre pilotis) em relação à rua de

acesso, apresentando uma passarela ou ponte de circulação que faz a conexão entre a área

pública e a área privada. 

 

Referências arquitetônicas:

-EE Jardim Umuarama. Autores: Estúdio 6 Arquitetos (figura 4)

Análise:

-Minimiza ou elimina os volumes de corte, transporte e aterro.

-É uma tipologia possível quando a inclinação do terreno é muito alta, pois, nesses casos,

não se recomenda que se executem os patamares divididos em platôs menores, como nas

tipologias anteriores.

-Minimiza ou elimina as obras de contenção.

-Pequenos impactos na drenagem local. -O acesso ao edifício, por se dar em nível com a área pública, não requer a solução em

escadas ou rampas.

-Possibilita que a circulação vertical seja centralizada em uma única prumada interna ao

volume.

-A lateral do edifício, que se volta para a encosta, fica com os seus pavimentos prejudicados

em relação à ventilação, iluminação e visuais, agravados também pelo sombreamento da


passarela de acesso.

Figura 4

 

 

 

Referências arquitetônicas:

Figura 5

-Volume “aéreo”: com seu corpo principal na mesma cota de nível que o acesso principal,

ou próximo. O corpo principal, em nível, sendo mantido por diversos tipos de apoios, como

pilotis ou outras estruturas, deixa o terreno “in natura”. (Figura 6)

Referências arquitetônicas:

-Residência Hélio Olga – Arquiteto Marcos Acayaba

Análise:

-Minimiza ou elimina as obras de terraplenagem e contenção.

-Baixíssimo impacto na drenagem local.

-O terreno pode ficar totalmente livre mediante a adoção de pilotis.

-A tipologia aérea é indicada quando a inclinação do lote é muito alta. Esta solução não

altera a topografia original.

-O sombreamento sob a área construída tem que levar em conta a utilização de espécies

vegetais adequadas a esta nova condição, pois as espécies existentes no terreno nem

sempre se adaptarão às mudanças propostas.

-A ventilação é eficiente e passa tanto por cima como por baixo do volume edificado.

-A iluminação é eficiente em todos os planos do volume edificado.

-Os acessos ao solo podem ser resolvidos por caixas de circulação interna ou externa ao

volume.

-A utilização do terreno “livre” para outros usos é limitada devido à alta declividade.


Figura 5

 

 

-Prisma com acesso em diferentes níveis: Edifícios com acessos por níveis diferentes na

fachada principal, posterior ou laterais. 

Referências arquitetônicas

-Residência Mariante – Aldeia da Serra, SP – 2005. Autores: SPBR Arquitetos e MMBB

Arquitetos - Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga (figura 9)

Análise:

-A relação com o urbano é satisfatória, pois os acessos permitem a circulação por diversos

níveis, facilitando sua relação com o espaço público.

-O sombreamento de um bloco no outro é grande.

-A ventilação pode ser explorada no volume superior, pelos desníveis formados entre os

blocos.

-A ocupação do solo é intensa, porém podem-se deixar áreas permeáveis nos recuos de frente e de fundos.

-É a tipologia mais recorrente na história da arquitetura em São Paulo.


Figura 6

 

-Tipologia híbrida: são aquelas que adotam, simultaneamente, formas variadas de

apropriação da declividade do terreno, verticalizada ou não.

Referências arquitetônicas:

-Universidade do Meio Ambiente – Arquitetos Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina

Parma (figura 8).

Análise:

-As soluções híbridas (se contemplarem os aspectos naturais e antrópicos estudados neste

trabalho) são as que propõem respostas formais diferenciadas.

-Estas devem ser estudadas caso a caso, pois misturam vários aspectos analisados nas

tipologias anteriores.

-É a tipologia mais recorrente na bibliografia contemporânea.


Figura 7

 

 

 

Exemplos de Arquitetura de Encostas pelo mundo:


Casa Pueblo, Punta Ballena, Uruguai


 

 


Complexo de Favelas da Rocinha, Rio de Janeiro – RJ


 

 


Ouro Preto – Minas Gerais

Text Box:  
Salvador - Bahia


Cave Hotel, Irã

 

Text Box:  
Templo Faraônico - Egito

 

 

 

 

 

Bibliografia:

         <http://defesacivil.itajai.sc.gov.br/noticiasp_det.php?id_noticia=6464>

acessado em 28 de junho de 2008

         Traçando o risco: análise de práticas urbanas em áreas de morros (tcc)

         AFONSO, Sonia. Urbanização de Encostas: Crises e Possibilidades. O Morro da Cruz como referencial de projeto de arquitetura da paisagem. Tese de Doutorado. FAUUSP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 1999.

         ARTIGO: ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO EM ÁREAS DE ENCOSTAS - III FÓRUM DE PESQUISA FAU.MACKENZIE I 2007.

         Banco de Imagens da ferramenta de pesquisa do Google Search, acessado em 1 de julho de 2008