INTRODUÇÃO

 

Infinitas melodias e harmonias podem ser compostas com as sete notas musicais, com as diversas letras do alfabeto, com os diferentes sons produzidos por distintos instrumentos. Assim, também, alguns sistemas estruturais, que podem ser considerados sistemas básicos, quando convenientemente combinados, podem gerar as mais ricas e interessantes associações estruturais. E mesmo essas associações podem apresentar resultados finais bastante distintos, muitas vezes ocultando sua origem.

 

Alguns sistemas podem ser considerados básicos, pois podem funcionar como geradores de outras possibilidades estruturais. São sistemas em que predominam os esforços de tração simples; compressão simples; e momento fletor. O cabo, a arco, a treliça, o pilar e os diferentes tipos de vigas, são estruturas que podem ser vinculadas, associadas, e assim, apesar de visualmente comportarem-se da mesma forma, serão novas estruturas dotadas de única alma, como os sistemas estruturais chamados pórticos.

 

É muito comum - e é importante que seja destacado neste momento – ser confundido pelas pessoas a definição de pórtico como um elemento de marcação de entrada, e não como sistema estrutural. O termo pórtico, do latim porticu, é normalmente compreendido pelas pessoas como um átrio amplo, cujo teto é sustentado por colunas ou pilares marcando uma entrada ou um edifício nobre. Desde a Antigüidade, esta definição é reproduzida por gregos e romanos em templos e residências, levando a denominação de pórtico, sem com isso, considerar a definição estrutural que lhe convém.

 

Muitas vezes, o valor estrutural de um elemento não se dá no seu desempenho direto, mas sim, em como ele pode auxiliar no comportamento geral da estrutura. Ainda que não prioritário, participa de forma adequada no comportamento do conjunto. Trata-se de uma característica de edifícios em que o projeto arquitetônico considera a estrutura como parte intrínseca de seu raciocínio. São bons exemplos o projeto do Poupatempo Itaquera e a Estação Largo 13, projetada por João Walter Toscano e equipe, ambos construídos com estruturas de pórticos.

 

Além destes projetos, muitos outros ganham ênfase em relação a sua estrutura. O pórtico tem grande aplicação no travamento dos edifícios, principalmente os elevados, em que as cargas horizontais dos ventos são bastante significativas. O sistema viga simplesmente apoiada nos pilares não funciona para o travamento, pois todo o esforço é absorvido pelos pilares. Para projetos em precisa-se utilizar vigas de menores dimensões, para vencer vãos maiores, os pórticos são excelentes soluções para estes desafios estruturais, como podemos ver em diversas obras pelo país.

 

Poupatempo Itaquera, São Paulo-SP. Paulo Mendes da Rocha MMBB Arquitetos Associados.