Referências Arquitetônicas

 

 

Poupatempo itaquera - Uma seqüência de pórticos – Paulo Mendes da Rocha

 

O Poupatempo Itaquera está localizado junto a um complexo com estações de metrô, trens metropolitanos e ônibus urbanos, na zona leste de São Paulo. O edifício é a materialização dos esforços para descentralizar serviços públicos, como Junta Comercial, Detran, Polícia Civil e Ministério do Trabalho, entre outros.

 

O sistema estrutural do Poupatempo é mista, executada com concreto armado e aço. O edifício se organiza numa seqüência de pórticos onde se apóiam vigas com grandes balanços laterais.

 

Como um corpo suspenso pelos pórticos de concreto, essa estrutura impressiona por sua linearidade e revela-se em seu corte transversal. Através de uma geratriz linear, a sucessão de pórticos constitui a estrutura longitudinal do edifício. Aqui, o trabalho de Paulo Mendes assemelha-se e muito ao de Niemeyer no MAC, a mesma estrutura de pórtico, quando transladada resulta na estrutura do edifício Poupatempo e quando rotacionada, gera a estrutura do Museu, o qual será detalhado mais adiante. A síntese deste raciocínio, está bem representada nos cortes dessas duas obras, apresentando uma visão geral e sucinta deste raciocínio.

 

A estrutura da cobertura é, também, um pórtico, agora metálico, apoiado nos extremos das vigas transversais, ou seja, no extremo dos balanços.

 

O travamento dessa estrutura metálico é feito por meio de uma treliça de seção triangular, que apóia as vigas intermediárias de sustentação da cobertura. Sobre essa treliça também estão apoiadas as duas grandes calhas laterais que acompanham longitudinalmente o corpo vagonar.

 

        

Poupatempo Itaquera: pórticos de concreto na base e pórticos metálicos nos apoios da cobertura.

 

 

 

Cortes: Poupatempo e MAC Niterói

 

Os pórticos desdobram-se linearmente para constituir a estrutura do edifício Poupatempo.

 

 

MAC - Museu de Arte Contemporânea, Niterói-RJ - Oscar Niemeyer

 

O Museu de Arte Contemporânea (1991/96) foi concebido para abrigar o acervo de um grande colecionador de arte moderna brasileira, João Sattamini, que doou sua coleção à cidade. Em troca, a prefeitura de Niterói comprometeu-se a construir um espaço para abrigá-la. Foi idealizado pelo grande arquiteto Oscar Niemeyer, e segundo o próprio, “o MAC surge como uma grande flor na rocha”.

 

A estrutura básica que originou o museu é a mesma do Poupatempo, de Paulo Mendes, - porém, a primeira vista, parece distanciar-se um do outro - um pórtico formado por dois pilares e uma viga com um pequeno vão central e dois grandes balanços.

 

O pórtico inicial do MAC desenvolve-se a partir de uma geratriz circular, enquanto que no Poupatempo é uma geratriz linear. A rotação da estrutura porticada gera a estrutura visível a nossos olhos: um imenso edifício circular, que nada assemelha a estrutura de pórtico. Assim como nos trabalhos de Paulo Mendes da Rocha, a estrutura deste edifício só pode ser vista através de seu corte.

 

A sua cobertura, formada por uma laje maciça de concreto é apoiada sobre vigas intermediárias que por sua vez apoiam-se em pilares estrategicamente recuados dos extremos, permitindo que a abertura se caracterize como um anel contínuo, livre de obstrução visual, dando a impressão de que a cobertura não tem qualquer apoio.

 

Mac – Niterói, RJ.

 

Os pórticos desdobram-se circularmente para constituir a estrutura do Museu.

 

 

MASP – Museu de Arte de São Paulo – Lina Bo Bardi

 

O “exoesqueleto” porticado ortogonal aparece na arquitetura paulistana no projeto de Lina Bo Bardi para o Museu de Arte de São Paulo (1957-68).

 

Seu sistema estrutural resume-se em um volume suspenso a partir de pórticos longitudinais, que libera toda a área. Há apenas dois pórticos, e eles estão orientados longitudinalmente, cobrindo o maior vão. Essa decisão, aparentemente irracional e antieconômica do ponto de vista exclusivamente técnico, se explica pelo desejo de tornar o espaço sob o edifício totalmente permeável.

 

À engenhosidade do projeto arquitetônico somou-se, portanto, a engenhosidade do projeto estrutural desenvolvido pela equipe do professor Figueiredo Ferraz. A estrutura elevada é sustentada por quatro pilares e quatro vigas, compondo um pórtico articulado de 74 m de vão e 3,50 m de altura.

 

Foi somente em 1990 que a estrutura em pórtico foi pintada na cor vermelha já prevista no projeto original, mas não executada em função de motivos políticos.

 

Masp, SP. Pórtico articulado sustentando a estrutura do edifício.

 

 

 

COBERTURA PARA A PRAÇA DO PATRIARCA – Paulo Mendes da Rocha

 

 

A obra, desenhada por Paulo Mendes da Rocha, nasceu de bem-sucedido encontro entre a Associação Viva o Centro e a prefeitura paulistana. Embora pequena, a Praça do Patriarca é um local simbólico do centro de São Paulo.

 

Uma nova cobertura para a entrada da galeria Prestes Maia foi proposta pelo arquiteto com a intenção de transformar o local de rotina de passagem, visto que o objetivo maior era a de revitalização da Praça.

 

O sistema estrutural da cobertura é constituído de um pórtico metálico, que vence 40 m de vão, sustentando uma esbelta cobertura em casca, composta por nervuras internas, tal qual uma asa de avião, recobertas por chapas metálicas.

 

A complexa execução da estrutura durou nove meses. As fundações, do tipo radier, foram situadas fora dos limites da galeria subterrânea, com cuidado para não atingir tubulações de água, luz, gás e telefone. Depois, foi montado o pórtico e, em seguida, içada a casca.

 

Pórtico e cobertura metálica vistos a partir do viaduto do Chá

 

Foto da maquete da marquise de cobertura do acesso

 

Elevações da cobertura para a Praça do Patriarca.

 

 

CROWN HALL (1956) – Chicago – Mies Van der Rohe

 

A solução ensaiada por Mies para o Cantor Drive-in Restaurant, Indianapolis, 1945, acaba se concretizando no Crown Hall, em Chicago, 1945.

 

Mies desenvolveu uma alternativa para o problema dos grandes espaços livres de apoios intermediários em suas obras. Ela se caracteriza por uma estrutura unidirecional externa, da qual a laje é suspensa, com apoios sobre os lados maiores de um retângulo, coplanares com a caixilharia. Seu exemplo é o Crown Hall, em Chicago, de 1950-56, mas a idéia veio à luz no projeto não construído para o restaurante Cantor, de 1947.

 

Neste edifício, que constituiu a sede da Faculdade de Arquitetura, vemos uma estrutura monodirecional composta por vigas externas de alma cheia, das quais é suspensa a laje de cobertura, apoiadas em pilares periféricos, o que resulta na total ausência de pilares no interior dos grandes espaços assim definidos.

 

Os quatros pórticos soldados, espaçados de 60 pés, são salientes externamente ao longo de toda a cobertura, enquanto a laje se projeta 20 pés em balanço. A construção é fechada por paredes-cortinas, de vidro fosco na parte inferior, exceto na entrada.

 

Crown Hall, sede da faculdade de arquitectura do Illinois Institute of Technology        

Crown Hall, com seus 4 pórticos soldados.              Crown Hall, sede da faculdade de arquitetura.

                                                                        

 

 

ESCOLA EM ITANHAÉM E GUARULHOS (1959/1960) – João Villanova Artigas

 

O esquema de exoesqueletos porticados aparece com freqüência nas obras de João Vilanova Artigas, sempre no sentido transversal, ao contrário de Masp, em que a estrutura porticada vence o maior vão. Em projetos muito parecidos para duas escolas, em Itanhaém (1959) e Guarulhos (1960), dois edifícios térreos, Artigas, protege espaços coletivos sob os pórticos e experimenta com a configuração dos apoios verticais.

 

A estrutura básica das duas escolas de Vilanova Artigas se caracteriza por uma estrutura unidirecional externa que define a grande cobertura sob a qual são distribuídos todos os componentes programáticos. Em nenhum dos casos se trata de uma laje nervurada, mas de uma sucessão de pórticos paralelos unidos por um número reduzido de vigas longitudinais.

 

Em Itanhaém, cada pórtico é composto por dois vãos e a cobertura é contínua, com a exceção de uma pequena incisão que define um pátio.

 

Já em Guarulhos os pórticos são formados por três vãos, dois menores nos extremos, onde se localizam as salas de aula e outras dependências menores, e uma faixa muito maior no meio, utilizada para os componentes maiores do programa e para os pátios para os quais a escola se volta.

 


Vilanova Artigas, Escola em Itanhaém, São Paulo, 1959.


Escola de Guarulhos, Vilanova Artigas, 1960.

 


Corte esquemático da Escola em Guarulhos, São Paulo, 1960.

 

 

CASA OLGA BAETA - SÃO PAULO – SP – João Vilanova Artigas

                                                                                                                                      

A residência Olga Baeta foi projetada pelo arquiteto Vilanova Artigas em 1956.

 

A estrutura desta casa foi resolvida por Artigas em três pórticos sucessivos. Os dois pórticos da fachada, frente e fundo, contam com a altura estrutural das duas paredes de concreto (empenas) para realizar o balanço assimétrico de 4,5 m. No pórtico central essa empena não existe, por isso Artigas recorreu a uma escora em concreto armado como solução estrutural. Em 57, por problemas na execução da obra aquela escora acabou por ser substituída por um pilar improvisado em concreto do lado de fora da casa.

 


Casa Olga Baeta (1956), São Paulo, João Batista Vilanova Artigas.

 

 

INT-DIVISÃO DE DESENHO INDUSTRIAL - Rio de Janeiro - Cláudio Aguiar

 

A reforma de uma - antiga oficina de veículos - para a criação da Divisão de Desenho Industrial do Instituto Nacional de Tecnologia criou a necessidade de aumentar a área construída do edifício.

 

Os pórticos de concreto existentes, tri-articulados, possibilitaram a execução de um novo pavimento, feito com lajes pré-fabricadas. O novo piso é apoiado em sistema perimetral de vigas metálicas que acompanham os vãos estruturais existentes.

 

A cobertura, estruturada por tesouras metálicas, foi substituída por telhas de aço duplo na cor branca e, em alguns trechos, por policarbonato transparente. A fachada lateral direita, agora envidraçada, supera o alinhamento dos pórticos existentes e caracteriza-se pela estrutura metálica de sustentação do telhado.

 

Um dos destaques é o afastamento empreendido na face frontal do prédio. O limite do edifício foi recuado cerca de 5 m, o que fez com que o primeiro pórtico - pintado de azul, assim como os demais - ficasse incorporado ao espaço público, ampliando o passeio e criando um elemento de referência no entorno.

 

Acesso principal

 

 

Acesso: pórticos antigos pintados de azul                 Cobertura: pórticos de concreto, tesouras

 

 

Estações viárias - São Paulo-SP – Arquitetos Barbosa e Corbucci

 

Para o pedestre. Para quem as estações viárias de transferência foram desenhadas por Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci. Foram criadas para ocupar os corredores (hoje chamados passa-rápido) e assim compor o sistema de transporte público integrado da prefeitura paulistana.

 

As estações são estruturadas por dois pórticos paralelos, cada qual formado por uma linha curva contínua e segundo os autores, busca aproximar-se da “estética automobilística”.

 

Os dois pórticos longitudinais são formados cada um por uma viga metálica calandrada, com 22 centímetros de espessura, apoiados em delgados pilares centrais de seção circular, com nove centímetros de diâmetro. Os pórticos são travados na cobertura por terças metálicas.

 

Para facilitar a produção em série, a curva se repete nos diferentes tamanhos de estação, que possui dez variações combinando as seguintes dimensões: 38,40; 20,40; e 7,70 metros de extensão, e 2,60 ou 1,80 metros de largura.

 

Neste projeto, o sistema estrutural definiu o desenho das plataformas invertendo a lógica convencional das paradas de ônibus, criadas a partir de cortes transversais.

 

A estrutura é formada por dois pórticos paralelos,
com vigas metálicas calandradas

 

Elevação da plataforma maior (38,40 metros)

 

Elevação da plataforma intermediária (20,40 metros)

 

Elevação da plataforma menor (7,70 metros)

 

 

EDIFÍCIO ADMINISTRATIVO DA POLITEC – Brasília, DF - Fittipaldi Arquitetura

 

A nova sede da Politec, empresa atuante há 32 anos no mercado, surgiu em Brasília com a intenção de apresentar ao cliente a imagem da empresa consolidada. A arquiteta Regina Fittipaldi inovou neste edifício diferenciado e imponente.

 

O caminho a ser seguido foi a modulação estrutural na diagonal, com vãos de 5 m posicionados a 45 graus em relação ao perímetro do terreno. Esse recurso resultou em volumes soltos das laterais do lote e permitiu a criação de fachadas dinâmicas e movimentadas, caracterizadas por recuos e avanços simétricos, que formam ziguezagues.

 

Pórticos vazados, escalonados na vertical e revestidos por painéis de alumínio composto, cortam o volume curvo frontal e dão monumentalidade à fachada.

 

Pórticos vazados revestidos por painéis de alumínio

 

        

Os pórticos têm origem no volume              Detalhe lateral mostra o pórtico e o avanço do

circular que identifica a fachada principal.                                 primeiro bloco.                         .

 

 

 

PROJETO DE INTERIORES DE UM ESCRITÓRIO BANCÁRIO - São Paulo-SP - Rocco Associados

 

Os arquitetos Luiz Fernando Rocco, Vasco Lopes, Eduardo Brandileone e Fernando Vidal desenvolveram, para um banco, o projeto de interiores de um pavimento com 565 m2, em um edifício. Ali precisavam ser instalados os serviços administrativos de tesouraria e contabilidade, além da parte da instituição financeira que atua diretamente no mercado, como mesas de corretagem e de gerenciamento de crédito.

 

Neste projeto, um grande pórtico de madeira foi instalado para unir as duas alas do escritório, da operacional às salas da diretoria. Com 40 m de comprimento e 60 cm de largura (nas aberturas para as salas), corta toda a área interna, delimitando, com um corredor, a circulação do escritório.

 

O pórtico-divisória, em toda a sua extensão, alterna cheios e vazios, ora com nichos, áreas de apoio, revisteiros, ora com prateleiras e armários. Na recepção, ele se deixa ultrapassar pelo tampo da mesa da recepcionista.

 

  

      Corredor de circulação, marcado pelo                      À direita, a recepção, separada de uma
  pórtico lateral e pelo pergolado, no alto.                    das salas de reuniões pelo corredor.

 

 

GINÁSIO DA NOVA SEDE DO CLUBE DOS DIÁRIOS -  Estrutura espacial e pórtico do Ginásio- Fortaleza

 

A nova sede do Clube dos Diários está localizada numa das melhores áreas urbanas de Fortaleza. Implantada no topo das dunas na Praia do Futuro ela ocupa um terreno de aproximadamente 20.000 m2.

 

Para a execução do ginásio, após estudo de alternativas, a solução estrutural mais econômica foi a do pórtico treliçado bi-rotulado, usando-se perfis sólidos em alumínio na mesma liga da malha espacial.

 

De um lado do pórtico, há apoios diretamente ao solo. Do outro, os apoios ficam por sobre uma laje no nível superior das arquibancadas.

 

Os pórticos são espaçados a cada 6,0 m, e foram dimensionados para vencer um vão de aproximadamente 30 metros. Todo o conjunto é travado pelas terças e pelas vigas longitudinais treliçadas, colocadas no centro e laterais dos pórticos.

 

Este sistema construtivo deu ao conjunto a necessária rigidez para absorção das sobrecargas normais e do vento.

 

 

Estrutura porticada treliçada bi-rotulado.

 

 

LOJA OCIMAR VERSOLATO - Rio de Janeiro-RJ - Bernardes + Jacobsen Arquitetura

 

O projeto arquitetônico é assinado por Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen para as lojas que apresentam propostas personalizadas para atingir o público que consome roupas e acessórios de luxo. A dupla foi contratada pela grife para criar um cenário que seja capaz de comercializar a produção no Brasil.

 

Com cinco pavimentos, a unidade de Ipanema diferencia-se pela fachada de vidro transparente, deixando a vista um pórtico, que com a intervenção no prédio, incluiu o desmonte da fachada e a demolição de quatro metros das lajes, abrindo espaço para o pórtico de pé-direito quádruplo. 

 

Neste projeto, sem função – aparentemente - estrutural, o pórtico é emoldurado por chapas de ACM na cor cobre pontuadas por pequenos cilindros de acrílico de diferentes alturas, composição que propicia efeitos de luz e resulta no criativo painel que caracteriza todas as lojas da grife. Luminárias com lâmpadas fluorescentes e filtros de correção iluminam o pórtico.

 

           

A fachada de vidro evidencia o átrio frontal com o pórtico iluminado ao fundo

 

 

ESTAÇÃO LARGO 13 DE MAIO –  João Walter Toscano

 

A Estação do Largo do 13 (1985), de João Walter e Odiléia Toscano, surgiu como um novo projeto capaz de atender ao crescente transporte metropolitano na década de 80.

 

 O edifício está implantado em uma estreita faixa de terreno entre a Avenida Marginal e o Rio Pinheiros. A solução arquitetônica é marcante, reforçada pela seqüência de pórticos transversais de formas curvas executados em aço, com o espaço interior contido em caixa suspensa, apóiam-se sobre fundações de concreto armado e vão se sucedendo a cada 20 metros sustentando o mezanino.

 

A grande diferença deste tipo de estrutura com pórticos transversais em seqüência é  que o espaço liberado sob ele é ocupado pela plataforma dos trens, ou seja, não é destinado à circulação de pedestres.

 

Corte da Estação Largo 13, em São Paulo
Um dos projetos mais festejados de João Walter Toscano

 

 

Estação Largo 13 de Maio

Projeto do arq. João Walter Toscano

 

 

ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA - São Paulo,SP -Rocco Associados

 

Neste projeto de Luiz Fernando Rocco, Fernando Vidal e Vasco Miguel Lopes o pórtico atua como um elemento impactante e imponente na entrada, marcando o ponto central do escritório, partido presente no escritório como uma extensa galeria que serve como elemento organizador dos espaços.

 

Com base e pilares de alvenaria e viga superior metálica, o pórtico é o elemento que marca o centro dessa extensa galeria de circulação, disposto perpendicularmente ao hall dos elevadores, espaço que também funciona como hall de entrada e sala de espera.

 

O pórtico contribuiu para a ambientação diferenciada do escritório ao ser empregado, assim como o piso, revestimento de agregado mineral jateado.

 

A parte superior do pórtico embute uma linha de lâmpadas dicróicas que ilumina o balcão da recepção, revestido com madeira para criar contraste de texturas entre o nobre e o rústico.

 

Todos os espaços , bem como seus acessos, são disposto através da posição do pórtico no ambiente. Ele determina, divide e concilia os espaços criados no escritório. Duas salas de espera estão posicionadas nas laterais do pórtico.

 

O painel em lambris de curupixá tingido faz o pano de fundo para o pórtico

 

Agregado mineral jateado reveste o pórtico de alvenaria,
no hall de entrada. e o piso da galeria de circulação

 

 

 

MuBE – Museu Brasileiro de Escultura – SP – Paulo Mendes da Rocha

 

   O MuBE surgiu a partir da iniciativa conjunta da Sociedade dos Amigos dos Jardins Europa e Paulistano, SAJEP e da Sociedade de Amigos dos Museus, SAM Nacional, há 20 anos. O terreno foi cedido pela prefeitura, em comodato, por 99 anos e a construção foi realizada com o esforço da iniciativa privada. Um concurso público premiou o projeto de Paulo Mendes da Rocha, hoje um dos mais expressivos e premiados arquiteto da contemporaneidade, sendo o MuBE uma de suas obras mais conhecidas, nacional e internacionalmente. Para o arquiteto, o museu é um lugar de concentração, reflexão do trabalho humano e da produção artística. O jardim do MuBE é projeto do renomado paisagista Burle Marx.

 

   O projeto resulta da concepção de museu como espaço público em sentido mais amplo, sua morfologia não usual potencializa aproximações entre as noções de público, cidade e cultura. O pórtico, único elemento construído sobre o solo, é portal de entrada do museu e abrigo para manifestações artísticas, escultóricas e teatrais, passíveis de ocorrerem em sua topografia que em platôs desce seguindo as margens do lote. As instalações de um museu tradicional são colocadas no subsolo. Desde as entradas percebe-se que dentro e fora, a praça - museu externo - e o sub-solo - museu interno - fazem parte de um conjunto do território urbano.

 

Pórtico de entrada - MuBE

 

 

 

ESCOLA – Palmas – TO – Gesto Arquitetura

 

   O escritório Gesto Arquitetura, dos arquitetos Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina Parma, é autor do projeto dessa escola de ensino fundamental implantada em Palmas. Desenvolvida para o Fundo de Fortalecimento da Escola (Fundescola), a partir de elementos pré-fabricados, ela deveria ter sido a primeira de uma série de unidades da mesma tipologia a serem construídas no estado de Tocantins.

 

O fato de trabalhar com pré-moldados industrializados facilitaria a repetição, um dos objetivos do programa. O sistema idealizado pelo escritório paulista baseia-se em um elemento externo e outro interno. O primeiro é composto por peças estruturais pré-moldadas hiperestáticas em concreto, posicionadas a cada 3,60 metros, e elementos de fechamento vazados e/ou translúcidos, especificados de acordo com as condições de cada local.

 

A cobertura é formada por treliças metálicas estruturais curvas - “a estrutura em arco possibilita uma treliça mais delgada”, justifica Yamato - e telhas metálicas calandradas com miolo de poliuretano expandido, que proporcionam conforto térmico e acústico. Esse invólucro tem como elemento interno pórticos metálicos estruturais com a mesma modulação externa. Neles apóiam-se lajes pré-moldadas de argamassa armada, formando piso e forro. As paredes de vedação são em painéis leves pré-fabricados que se fixam às lajes de piso e de forro através de perfis metálicos. As demais paredes, peitoris e caixilhos também deveriam funcionar com o mesmo modelo de fixação.

 

Pórticos metálicos estruturais

 

 

 

Área de convivência - Belo Horizonte-MG - Andrea Vilella Arruda e Sérgio Palhares

 

   Criada na década de 1960 como Fundação Mineira de Educação e Cultura, a Universidade Fumec foi ampliando suas instalações, no bairro Cruzeiro, em Belo Horizonte, até que praticamente não existissem mais espaços livres no local. Apenas o estacionamento, na entrada do campus, escapou do adensamento e da verticalização. As árvores e a proximidade com o parque da Companhia de Saneamento de Minas Gerais - Copasa - fizeram dele uma área informal de convívio, ainda que essa vocação suplementar estivesse em conflito com a presença de veículos.

 

A proposta de intervenção confirma a vocação de local de convívio, destacando a prevalência dos usuários sobre o automóvel, e evita o adensamento com construções. Uma das áreas é totalmente descoberta e situa-se junto à entrada, próximo à guarita de acesso. A segunda, contígua à primeira, é coberta e integra-se com o espaço da cantina, que, no novo arranjo, passou a atender todo o campus. Para consolidar o caráter de permanência nesses locais, os autores propuseram dois tipos de mobiliário: bancos com estrutura metálica e assento em réguas de ipê, na área descoberta; na outra, conjuntos de mesa e dois bancos acoplados.

 

Para preservar ao máximo a sensação de espaço aberto mesmo na área coberta, os autores optaram por uma ocupação mínima, que não prejudicasse a visão das unidades de ensino. Essa escolha levou à adoção de um conjunto porticado metálico com cobertura translúcida. O sistema construtivo com seis peças dispostas a cada 3,8 metros permitiu vão livre de 22 metros. Não há vedações laterais. O forro em réguas de madeira (paraju) espaçadas funciona como uma espécie de brise, controlando a incidência de raios solares. Dessa forma preservou-se a iluminação natural. O projeto preocupou-se também em preservar as árvores existentes ao longo do eixo longitudinal da área coberta. Para isso, a cobertura é aberta, o que permite o livre crescimento das espécies vegetais e maximiza a iluminação natural.

 

Percurso externo contornado pelos pórticos.

 

Conjunto com seis pórticos metálicos e telhas translúcidas, área de convívio coberta.

 

 

Museu de Artes e Ofícios - Belo Horizonte - AF&T Associados

 

   Museu de Artes e Ofícios, instituição que foi idealizada pela colecionadora Ângela Gutierrez e ocupa dois edifícios onde funcionaram, desde as primeiras décadas do século 20, as estações de trem da Central do Brasil e da Oeste de Minas. O restauro e a adaptação das construções ao novo programa foram desenvolvidos pelo escritório AF&T Associados, dos arquitetos Ângela Arruda Fernandes e Luís Alberto Therisod.

 

A proposta tratou não apenas de adaptar os prédios à nova função, como de compartilhar usos, já que o museu divide espaço com o metrô de Belo Horizonte e a ferrovia Vitória-Minas. No projeto, desenvolvido a partir de conceito museográfico e luminotécnico do escritório francês Panotpès Muséographie, destaca-se, sobretudo, a transformação das antigas plataformas em galerias expositivas. O objetivo era conservar a transparência e permitir que o acervo seja visto pelo passageiro que utiliza os trens e o metrô. A vedação das galerias foi feita por um conjunto de pórticos metálicos com vidro temperado, emoldurando as colunas originais que sustentam a cobertura. Entre os pórticos, uma malha metálica formada pelas esquadrias realça-os e destaca a coleção exposta. A cobertura e o fechamento foram definidos de modo a não interferir na arquitetura dos prédios históricos.

 

                 Galeria expositiva fechada por um conjunto de pórticos

                           metálicos e painéis de vidro temperado

 

 

HOTEL MERCURE DOWNTOWN - São Paulo-SP - Roberto Candusso

 

Implantado próximo à praça da República, no centro de São Paulo, o Mercure Downtown foi desenhado por Roberto Candusso. O hotel ocupa o terreno de uma antiga garagem de bondes, da qual foi mantida a fachada frontal.

 

O pórtico no alinhamento da rua, remanescente da garagem de bondes do início do século 20, serviu como tema inspirador do projeto de interiores do hotel.

 

Seu volume ocupa quase a totalidade do lote, esquivando-se dos recuos obrigatórios. A porção frontal - onde estão o restaurante, o lobby e o foyer - possui fechamento em vidro, com caixilharia de desenho sinuoso que, vista da rua, fica emoldurada pelo velho pórtico.

 

Neste projeto, o pórtico já existente integra-se com o novo edifício criando uma conbinação entre o antigo e o atual. Apesar de não ter função estrutural com a obra, este pórtico apresenta função estética bastante significativa, visto que age como elemento marcador e de referência para o novo hotel.

 

                

A fachada pré-moldada contrasta com o desenho do pórtico               O pórtico preexistente está solto da construção

 

 

 

RESTAURANTE AOYAMA - São Paulo-SP - Roberto Kubota

 

A composição arquitetônica do restaurante By Aoyama, em São Paulo, busca uma certa assimetria espacial, usando cores e texturas, característica da arquitetura japonesa.

 

O projeto buscou estabelecer uma linguagem contemporânea, preservando as referências orientais, mas sem torná-las explícitas como nas casas antigas e tradicionais. Sutil, a composição baseia-se na assimetria espacial, própria da arquitetura japonesa, no uso da cor vermelha, no jogo entre planos horizontais e verticais e na predominância da madeira no piso e no mobiliário.

 

O grande pórtico vermelho, feito de madeira pintada com esmalte sintético de alto brilho, é o elemento forte do projeto, responsável pela identidade da casa. Ele começa no bar externo e se prolonga até o sushi-bar, posicionado nos fundos do salão, à direita, para permitir que o sushiman acompanhe o movimento e faça as honras da casa, como manda a tradição.

 

Pórtico vermelho: marca do Aoyama. Começa no bar frontal, atravessa o "pano" de vidro e se prolonga até os fundos

 

Pórtico vermelho: conduz o olhar
até o sushi-bar, o ponto alto do projeto

 

 

TEMPLO HEILIG GEIST-KIRCHE - Wolfsburg, Alemanha – Alvar Aalto

 

Este projeto envolvido de 1959 a 1962 por Alvar Aalto assumiu o conjunto Igreja e Centro Paroquial a ser construído para a cidade alemã de Wolfsburg.

 

Aalto utiliza de um partido decomposto para que, separadamente, ambos os edifícios conformem e limitem uma esplanada santa – transição entre o mundano e o religioso e espaço aberto potencializado, em uso, pela composição arquitetônica; o volume organicamente curvado e subtraído da igreja faz o fechamento da perspectiva de quem vem desde a avenida, ficando o outro lado conformado pelo “U” dos volumes do centro paroquial.

 

A estrutura é a grande protagonista da articulação formal deste recinto, mais uma vez exaltadas a partir da determinação de Aalto de enfatizar a percepção do altar pela convergência do olho. Por isso, a planta continua trapezoidal e o edifício assume perfil assimétrico descendente desde o acesso até o altar, como as tradicionais tumbas mortuárias escandinavas.

 

Em relação à estrutura, ela é, efetivamente, utilizada como fator definidor da forma escultórica da igreja, assim como é o elemento expressivo maior na espacialidade interna.

 

O esquema trapezoidal, em planta, eleva-se a partir de série de pórticos arqueados na longitudinal, convergentes, desde o acesso, à cabeceira da igreja. Tais pórticos protagonizam a sensação de direcionamento até o altar porque pintados de branco, realçando o contraste com o forro em madeira escura dos planos do teto; assim, aparecem quatro linhas brancas, longitudinais, que terminam serenas em muro baixo atrás do altar, às quais não se consegue ficar indiferente quando da experimentação do recinto, configurando-se em inquestionável trunfo do projeto, tanto do ponto de vista funcional e figurativo, quanto simbólico.

 


Heilig-Geist Kirche, Wolfsburg, Alemanha, 1959/62. Interior da nave, pórticos em direção ao altar.

 


Heilig-Geist Kirche, Wolfsburg, Alemanha, 1959/62. Planta baixa da igreja.

 

 

EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS - Rio de Janeiro-RJ - Ecotech Arquitetura e Gerenciamento

 

Projetados pelo escritório Ecotech, o Barra Trade III e o Barra Trade V situam-se na Barra da Tijuca, zona oeste da capital carioca. Os dois fazem parte de um office park - tipologia que define edifícios de escritórios horizontais, na periferia dos grandes centros - e têm configuração baseada em vastas superfícies envidraçadas nas fachadas e fechamentos laterais em concreto. Materiais tradicionais que resultaram, porém, em formas de surpreendente plasticidade.

 

Neste projeto o pórtico aparece como símbolo do movimento moderno paulista, sendo de concreto aparente e contrastando com a linha ritmada de colunas posicionadas na parte externa das edificações. Situado na fachada posterior do Barra Trade III, o pórtico aparece centralizando esta fachada.

 

 

Na fachada posterior do Barra Trade III,
um pórtico assinala a parte central da edificação

Na fachada posterior, o pórtico é em concreto aparente,
assim como as empenas laterais

 

 

 

EDIFÍCIO SEDE DO BANCO ITAÚ – Pórticos enrijecidos por contraventamento dos quadrosSão Paulo, SP - Engenheiro Ernest Mange.

 

Este edifício, sede de um instituto cultural que pertence a um grande banco, abriga a administração e as áreas ligadas ao desenvolvimento e à divulgação de projetos culturais.

 

É composto de nove pavimentos-tipo, um pavimento térreo, mezanino, um anexo ao primeiro pavimento e cinco sub-solos.

 

O conjunto estrutural forma um pórtico único que garante a estabilidade vertical da edificação. Os pórticos contraventamentados são utilizados em prédios muito elevados em que somente a conexão rígida das vigas com os pilares não pode conferir a rigidez necessária à estabilidade da estrutura.

 

Neste tipo de estrutura, os pórticos enrijecidos por contraventamentos, que são diagonais que prendem um nó do pórtico ao outro, tornam-se indeslocáveis. As diagonais acopladas aos pórticos funcionam de maneira mais eficiente se forem feitas de estrutura metálica, podendo assim estar sujeitas tanto à tração quanto à compressão.

 

Este edifício apresenta contraventamento tipo Y.

 

        
Edificio sede do Itaú, São Paulo, 1995.                     Estrutura metálica, com contraventamento em "Y".

 

 

EDIFÍCIO ALCOA BUIDING – Skidmore, Owings and Merrill

 

O edifício Alcoa em Pittsburg, Pensilvânia, é um prédio de escritórios com 30 andares e 125 m de altura. A execução de seu fechamento foi considerada, para a época de sua construção (1952), como uma técnica avançada, à medida que o edifício teve todo o seu revestimento externo em painéis de alumínio.

 

Seu revestimento exterior consiste de painéis de 1.829 mm por 3.658 mm. As chapas de alumínio têm espessura de 3,17 mm e a liga utilizada possui 5 % de silício com tratamento eletroquímico.

 

O conjunto estrutural forma um pórtico único que garante a estabilidade vertical da edificação. O pórtico estrutural enrijecido é contraventamentado com barras diagonais em X, para garantir a estabilidade da estrutura em função do vento.

 

 

                           

Edifício Alcoa Building, por Skidmore, Owings and Merrill, contraventado em "X".



1° PRÊMIO MASISA DE ARQUITETURA - 2° LUGAR - CASA OSB
Autores: Ailton Cabral Moraes e Igor Soares Campos

 

A proposta deste trabalho consistiu em apresentar um sistema estrutural e construtivo diferenciado em relação aos sistemas normalmente aplicados ao OSB na construção civil.

 

Este sistema consiste na utilização dos painéis de OSB juntamente com perfis de madeira maciça de pequena seção para a construção de elementos estruturais pré-fabricados com seção tipo caixão.

 

O sistema proposto pode ser empregado nos mais diversos tipos de construção com vãos de 25 a 30 metros como, por exemplo: galpões, pequenos ginásios, hangares, escolas, etc.

 

A flexibilidade e fluidez desta proposta são obtidas através da utilização do sistema de pórticos que permitiu com que os autores tirassem partido do conceito de planta livre, utilizando diversas soluções espaciais.

 

A estrutura principal desta residência é composta por 4 pórticos bi-articulados que vencem um vão de 13,20 metros; espaçados no sentido transversal a 3,60 metros nas laterais e a 7,20 metros no centro da edificação. Os pórticos possuem uma seção tipo caixão com as mesas em perfis de madeira maciça e a alma em OSB.

 

Vista externa

Execução dos pórticos  e das vigas secundárias

 

 

EDIFÍCIO SEDE DA FAPERGS - José E. Ferolla e Eduardo Oliveira França

 

Trata-se de uma instituição traduzida em dois volumes similares: um público e um privado. A proposta deste edifício se deu em meio a um caminho público entre duas paredes, dispostas a cada lado de uma praça e jardins internos.

 

A forma deste edifício foi definida em função do estreito terreno e de sua localização, delimitando; porém, sua altura. O volume único, gradativamente se elevando da praça até a avenida, onde o semi-pórtico metálico, apoiado na áspera torre de grês, emoldura a massa frisada do volume do auditório, parcialmente apoiado no sólido bloco de granito preto, deixando livre a norte, de cima a baixo, um muro de mármore branco polido e brilhante conduzindo o percurso e refletindo a luz da cobertura zenital.

 

O pórtico metálico sustenta as coberturas e ajuda, com atirantamentos, a sustentação do auditório e das plataformas.

 

O semi-pórtico na cor cobre apóia-se na torre revestida de granito, onde estão as bandeiras.

 

 

EDIFÍCIO EMPIRE STATES – William Lamb

 

O Empire State foi construído com o intuito de ser o prédio mais alto do mundo, tendo mantido esse posto por mais de 40 anos. A liderança foi perdida no ano de 1972, quando foi concluída a construção da primeira torre do World Trade Center.

 

A estrutura do Empire States é formada por um pórtico tridimensional de aço, em que foi utilizado um grande número de pilares tanto na periferia como no interior do edifício, como se pode ver nas duas fotos abaixo.

 

A estrutura de pórtico tridimensional é utilizada no processo de contraventamento de edifícios no combate aos esforços verticais.

 

Sistema estrutural utilizado: pórticos tridimensional.

 

Empire States, construído em estrutura de aço.