GINÁSIOS

   

Planejamento e construção de ginásios poliesportivos

         Os ginásios esportivos podem ser construídos em qualquer tipo de entidade, seja ela esportiva, escolar ou mesmo social. Porém, é preciso planejá-lo de acordo com as regras e determinações existentes, pois só assim esta construção esportiva poderá ser utilizada na sua totalidade.

As diretrizes para o planejamento, construção e detalhes internos são dados em termos do que é absolutamente necessário. As dimensões individuais e a execução devem ser compatíveis às normas e recomendações locais. O ginásio poderá ser parte integrante de um prédio existente ou prédio a ser construído, ou ainda ser uma unidade independente. Procure proporcionar o máximo de utilização para os vestiários e depósitos e também tenha atenção para a previsão do serviço aos deficientes físicos, quer como participante, quer como espectador.

 Por: Engo. Fernando Telles Ribeiro

 

Diretrizes do planejamento

Escolha do local

            Por razões de economia e freqüência de uso, os ginásios devem, como regra, ser posicionados de tal maneira dentro da escola que esteja a curta distância e possa ser facilmente ser alcançado; deve excluir qualquer interferência com as aulas devido ao ruído; deve ser acessível diretamente por grupos não-escolares (como associações, etc.), e sem trânsito através de outros prédios. O acesso para tráfego deverá ser previsto de acordo com as normas e regulamentos de trânsito locais.

Dimensões

        Os ginásios podem ser construídos individualmente ou em grupos.

 

 

Dimensões-padrões

        São recomendadas as seguintes: 15x27x5,5m (altura mínima) ou 27x45x7m (altura mínima divisível).

 

Salas especiais

        Pode-se ainda prever a construção de salas especiais destinadas para determinados esportes, como salas de ginástica, sala de esgrima, judô, sala de condicionamento físico, sala de ginástica de aparelhos, entre outros.

 

Locação e planejamento das salas

        As recomendações apresentadas referem-se ao salão do ginásio, às dependências para os atletas e, se necessário, às dependências para os espectadores. A locação da área utilizada para esportes deve respeitar um critério básico, que é a não- admissão da entrada de qualquer pessoa usando sapatos, mas apenas tênis de solado adequado. Uma clara divisão entre área "suja", área "limpa" e área "molhada" é necessária. O acesso aos vestiários deve ser feito por meio de uma área de entrada central (área "suja"). Nesta passagem estão os toaletes de entrada e possivelmente a sala de controle do ginásio. Os chuveiros e lavatórios serão diretamente acessíveis dos vestiários. Os toaletes devem ser localizados na área dos vestiários. As salas do professor e treinador devem estar no mesmo nível dos vestiários e adjacentes. Os toaletes devem ser localizados entre a área dos vestiários e o salão do ginásio e devem ser acessíveis sem trânsito pelos vestiários. A sala de administração deve estar localizada de tal modo que a área de jogo do ginásio, o placar e o relógio de tempo de jogo do ginásio sejam claramente visíveis durante as partidas. Para transporte dos aparelhos, montagem ou reparos, deverá ser prevista uma entrada no ginásio de, no mínimo, 1,70x2,20m. Salas para depósito do material de limpeza devem estar próximo ao salão do ginásio e centralmente localizados. Em salões divisíveis, as dependências devem ser localizadas de tal forma que as áreas subdivididas funcionem independentemente, mesmo após a divisão. As salas adicionais (salas de condicionamento, salas de ginástica, sala de aparelhos, etc.) devem ser acessadas pela área "limpa".

 

Salão do ginásio - detalhes interiores e equipamentos

Piso

        O piso deve apresentar um pequeno grau de elasticidade que absorva não mais do que 30% do esforço dinâmico. É recomendável, de acordo com os pontos de vista médicos, esportivos, arquitetônicos, econômicos e industriais que se obtenha critérios cientificamente estabelecidos para a qualidade do material utilizado nos pisos dos ginásios, como por exemplo, módulo de elasticidade, padrões de deflexão, energia de recuperação, reflexão da bola, classificação dos materiais, entre outros. Os efeitos acústicos devem ser previstos, o que permitirá a adequada escolha do material. A altura (pé direito) deve ser mantida de acordo com as regras dos esportes a serem praticados no local. Ao escolher o tipo de piso, observe principalmente se o material é antiderrapante, à possibilidade de redução suave do deslizamento, facilidade de limpeza, resistência dos efeitos mecânicos e à absoluta segurança contra acidentes (cortes, abrasões, etc.). O piso deve ser à prova de poeira e possuir um mínimo de aberturas (exemplo: tomadas de solo, pontos de fixação de aparelhos, etc.), O piso deve possuir as características acima mencionadas mesmo nas áreas de acabamento final. A cor do piso deverá ser não-ofuscante, bem contrastada com as linhas de demarcação e a cor das bolas. As marcações da quadra devem possuir a largura e as cores recomendadas pelas regras dos esportes a serem praticados no local.

 

Paredes

        Nas paredes, a construção, os materiais e os detalhes devem ser ajustados às exigências especificas. As paredes devem ser à prova de impactos de bola, de fácil manutenção e até a altura de 2m acima do nível do piso. Deve possuir superfície plana, lisa e fechada. Isto aplica-se também para a instalação de aparelhos ou quaisquer elementos salientes (termostatos, tomadas de parede, etc.), os quais serão permitidos na parte inferior da parede. Com referência ao brilho, deve ser notado que o grau de reflexão das paredes, portas e elementos divisórios não podem estar acima de 0,45. A escolha da cor das paredes deve ser determinada de forma a proporcionar contraste adequado à cor da bola. As portas e depósitos de aparelhos devem ser também à prova de boladas e nivelados com a superfície do salão do ginásio. As portas devem abrir para fora quando vistas do interior do ginásio e suas ferragens não devem ser salientes. Se possível, as paredes dos fundos (dimensões menores) não devem possuir porta. Ao menos uma parede deverá ser prevista como 'parede de bater bola', livre de aparelhos. As paredes divisórias devem impedir a visibilidade de um setor para o outro. Deverá também haver separação acústica e climática entre as subdivisões. Estas paredes divisórias não podem prejudicar ou predispor os participantes a acidentes durante os treinamentos e jogos. O material utilizado deve levar em consideração as solicitações físicas a que será submetido (impactos de corpo e bola).

 

Cor             Grau de reflexão 

Amarelo                  0,40 a 0,60

Verde                     0,15 a 0,55

Azul                         0,10 a 0,50

Vermelho                 0,10 a 0,50

Marrom                   0,10 a 0,40

Cinza                       0,15 a 0,60

Preto                      0,05 a 0,10

Branco                    0,70 a 0,75

Pérola                     0,60 a 0,65

Concreto aparente   0,25 a 0,45

 

Tijolo aparente:

Tijolo vermelho                         0,15 a 0,30

Tijolo amarelo                          0,30 a 0,45

Pedra calcária (arenosa)            0,50 a 0,55

  

Superfície de madeira:

Escura         0,10 a 0,20 

Média          0,20 a 0,40 

Clara           0,40 a 0,50

   

Superfície do piso:  

Escura0,10 a 0,15 

Média 0,15 a 0,25 

Clara0,25 a 0,40 

                                            

Tetos

        É desejável um teto horizontal, plano e fechado e deve ser construído à prova de impactos de bolas. Na superfície interna do teto, o objetivo é alcançar um grau de reflexão luminosa de 0,70.

Iluminação

Iluminação natural

        Nos ginásios, a iluminação deve ser uniforme e não-ofuscante. As janelas devem obedecer às mesmas características mecânicas exigidas pelas paredes. Os caixilhos devem facear a parede a 2m acima do nível do piso. As janelas devem ser imóveis. Básculas de ventilação, se existentes, devem abrir-se apenas para o exterior. A superfície das janelas, através das quais o sol irradia durante o período de uso do ginásio, deve ser estudada para que não aconteçam problema de reflexos (atletas fixas ou móveis ou dispersores de reflexos, entre outros). Em ginásios menores, até 20m de comprimento, a iluminação natural será obtida através da construção das paredes longitudinais do ginásio no sentido norte-sul e totalmente provida de janelas a partir de aproximadamente 1,40m de altura do piso. As dimensões das janelas devem ser determinadas com base no grau de iluminação e em relação à comparação entre o piso, as paredes e as janelas. As paredes de fundo não devem possuir quaisquer janelas. Se um ginásio vier a ser localizado em uma área desfavorável (alta taxa de poluição, por exemplo), é possível que esses ginásios venham a ser iluminados apenas artificialmente, excluindo totalmente as janelas.

Iluminação artificial

        O sistema deve ser escolhido logo no início do planejamento da construção, porque ele afeta particularmente as características de estrutura principal, a escolha do tipo de cobertura, a aeração e ventilação, e também o aquecimento e o suprimento de energia elétrica. Da mesma forma, é necessário considerar logo no início do estudo os pré-requisitos para a operação de tal sistema, como a manutenção, reposição, reparos, etc. As características de iluminação a serem levadas em consideração são: ótima percepção de objetos móveis e linhas demarcatórias, ausência de reflexos, boa tonalidade luminosa e atmosfera geral agradável. Deve ser possível o controle separado de vários estágios de iluminação de acordo como esporte a ser praticado. Contudo, um mínimo de intensidade de 200lux (valor funcional) deve ser previsto, medido a 1m de altura do nível do piso. As luminárias devem ser previstas contra impactos de bola. Recomenda-se a distribuição das luminárias ao longo da direção longitudinal do salão do ginásio. Deve ser tomado o cuidado para que não sejam fixadas luminárias sobre o eixo longitudinal do salão do ginásio, pois haverá problema de ofuscamento dos usuários em atividade.

  

Ventilação

        A ventilação pode ser feita de forma natural ou mecânica. A ventilação natural é uma regra para os ginásios menores e deve ser prevista desde que se considerem satisfatórias as condições do ar exterior e não ocorram perturbações acústicas provenientes do exterior. A ventilação é obtida através de faixas de ventilação situadas na parte superior das paredes longitudinais. Já a ventilação mecânica deve ser utilizada se houver a previsão para o uso da mesma em ginásios não-divisíveis. A ventilação transversal proporciona uma ventilação mais homogênea quando comparada à ventilação longitudinal (entre as paredes dos fundos). As aberturas de entrada de ar devem ser localizadas não menos do que 2m acima do piso do ginásio. Deve-se tomar cuidado para que o ruído seja mantido no nível mais baixo possível.

 

Acústica

        O tempo de reverbação nas salas não pode exceder a média de 1,8 segundos. O teto deve ser acusticamente projetado para garantir o tempo de reverbação permitido caso este não seja alcançado por outros meios quando as janelas estiverem fechadas. Quanto menor o ginásio, menor deverá ser o tempo de reverbação. Para música e ginástica rítmica, deve haver grande preocupação em manter-se o tempo de reverbação o mais curto possível.

 

Equipamentos instalados

        A instalação de aparelhos de ginástica e esportes depende da utilização proposta para o ginásio. Os elementos de suspensão necessários e dispositivos de montagem devem ser colocados durante a fase estrutural. No caso dos aparelhos de suspensão (argolas, cabos de suspensão, tabelas de basquete, etc.), a sobrecarga deve ser considerada nos cálculos estruturais. Aparelhos móveis de parede (barras de parede, escadas, entre outros), quando fora de uso, não devem causar perigo aos praticantes. Na localização dos equipamentos, as distâncias de segurança (das paredes, obstáculos, etc.) devem ser observadas com atenção. Durante os trabalhos de estrutura o número adequado de fundações para os postes telescópicos de ginástica e jogos, bem como os dispositivos de fixação de aparelhos, devem ser aplicados no piso.

 

Equipamentos técnicos

        O relógio deve estar bem visível e com superfície à prova de choque. O marcador de tempo de jogo deve contar com mostrador de minutos e segundos e deve ser travado durante os intervalos de jogo. O placar deve ficar bem visível e deve indicar a marcação do jogo, os intervalos, as equipes, a vantagem, entre outras informações. Tenha ainda meios auxiliares de instrução audiovisuais, como projetores, aparelhos de som, amplificadores de som, alto-falantes, etc. É essencial ainda a presença de indicadores acústicos de intervalos, como a campainha, que deve estar situada na entrada do ginásio. Procure instalar rede telefônica, essencial para as chamadas de emergência, e possibilita ligações internas. As tomadas devem ser à prova de boladas e devem facear as paredes. Tomadas de chão também são desejáveis. O número suficiente de tomadas deve ser previsto conforme a necessidade do local. 

 

Dependências

        A sala de equipamentos deve possuir espaço suficiente para acomodar os equipamentos e aparelhos móveis de ginástica, bem como os aparelhos manuais existentes no ginásio. Todo equipamento deve ser guardado lado a lado, e não um atrás do outro, e devem ser acessíveis e facilmente retiráveis. Daí resulta um compartimento longo e estreito, capaz de se abrir por toda a sua extensão e com altura mínima de 2,20m. Para evitar acidentes, o compartimento de equipamentos deve ser fechado com portas faceando as paredes internas do ginásio. As paredes desta sala devem ser à prova de choque, e o piso deve estar no mesmo nível do piso do ginásio, porém não precisa apresentar as mesmas características mecânicas ou físicas dele. Depósito de material externo é ideal quando as instalações esportivas externas se localizam junto ao ginásio. As dimensões deste depósito serão determinadas pelo tipo de equipamento utilizado. A largura da porta não deve ser inferior a 2m. Deve ser previsto também um depósito para máquinas e equipamentos utilizados na manutenção das áreas externas. Estes depósitos devem possuir pisos resistentes e nivelados com o terreno exterior.

 

Vestiários

    As dimensões dessas dependências é determinada pelo comprimento dos bancos, pela distância dos bancos entre si e pela distância entre eles e as paredes - a distância mínima recomendada é de 1,20m, além dos armários. O chão e as paredes, que devem ter altura mínima de 2m, devem permitir fácil manutenção. Os armários devem ser robustos e firmemente fixados. As janelas não podem permitir a visão externa. Caso inclua espelhos, eles devem se localizar próximos à saída. Pense na instalação de uma ventilação eficiente. As zonas consideradas "sujas" (as de trânsito) e as zonas consideradas "limpas" devem estar o mais separadas possível. A sala do instrutor ou dos árbitros deve estar localizada na área de vestiários e deve contar com lavatório, vestiário, chuveiro, vaso sanitário, mesa, armário, cadeira e caixa de primeiros-socorros. Os setores dos chuveiros devem possuir conexão direta com o vestiário, através de passagens. Devem ser equipados com fileiras de chuveiros e lavatórios. Os pisos e as paredes devem ser providos de ladrilhos e azulejos, respectivamente. A altura de colocação dos azulejos não deve ser inferior a 2m. Os tetos e a parte superior das paredes devem ser revestidas com material à prova de água, ao passo que o piso tem de ser revestido com material antiderrapante. O piso deve ser projetado para impedir o fluxo de água para os outros compartimentos. Nunca utilize estrados de madeira. Uma área de secagem (área seca) é recomendável. As instalações elétricas devem corresponder às exigências das normas locais estabelecidas. É recomendável que esta dependência seja construída com pé direito de 2,50m, no mínimo.

 

        Fernando Telles Ribeiro é professor de Educação Física, engenheiro civil e atleta. Membro desde 1974 da IAKS, uma associação sediada em Colônia, na Alemanha, especializada no planejamento e construções esportivas, Fernando pratica saltos ornamentais em piscina e é um dos mais conceituados atletas em toda a História do esporte nacional. Disputou os Jogos Sul-Americanos de 1958, em Montevidéu, no Uruguai, os de 1960, em Cali, na Colômbia, e em 1962, no Rio de Janeiro. Também participou dos Jogos Pan-Americanos de 1959, em Chicago, nos EUA, em 1963, em São Paulo, e em 1967, em Winnipeg, no Canadá, e também dos Jogos Olímpicos de 1956, em Melbourne, na Austrália, e de 1960, em Roma, na Itália. Atualmente disputa a categoria Senior, onde tem brilhado com importantes conquistas, tendo se destacado nos Campeonatos Mundiais de Master, em 1994, em Montreal, no Canadá, e em 1998, em Casablanca, Marrocos.