ESTÁDIOS DE FUTEBOL

 

1. Comparação entre Três Estádios Brasileiros  

    Este trabalho é parte de um completo estudo realizado em 3 conhecidos estádios brasileiros, pertencentes à clubes de futebol. São eles:

1. JOSÉ PINHEIRO BORBA - " Beira – Rio"

Beira-Rio

Localização: Porto Alegre - Rio Grande do Sul

Proprietário: Sport Club Internacional

Capacidade de público atual: 85.000 pessoas

Construção: início 1959 / término 1969

 

2. BRINCO DE OURO DA PRINCESA

Localização: Campinas - São Paulo

Proprietário: Guarani Futebol Clube

Capacidade de público atual: 45.000 pessoas

Construção: início 1948 / término 1953

 

3. CICERO POMPEU DE TOLEDO - "Morumbi"

  Morumbi

Localização: São Paulo - São Paulo

Proprietário: São Paulo Futebol Clube

Capacidade de público atual: 80.000 pessoas

Construção: início 1952 / término 1970 

 

        O esporte, e principalmente o futebol, cada vez mais se profissionaliza em todo o mundo, com os clubes se transformando em grandes empresas e administrando enormes valores.

            As transformações que ocorreram na Inglaterra com o Manchester United e na Holanda com o Ajax, entre outros, são exemplos que se espalharam pelo mundo e que agora se pretende por em prática aqui no Brasil.

        As primeiras parcerias de clubes de futebol do Brasil com grupos financeiros internacionais já aconteceram e como resultado já se anunciam a construção de modernos estádios com capacidades em torno de 50.000 pessoas, projetados de acordo com as normas e recomendações da FIFA, com conforto e segurança para o público e preparados para receber os mais diversos tipos de espetáculos, esportivos ou culturais.

 

IMPLANTAÇÃO E CIRCULAÇÕES EXTERNAS

          Os 3 estádios estão implantados em áreas acopladas aos setores sociais dos clubes, o que provoca o bloqueio à livre circulação do público em toda a periferia dos estádios.

             Os sistemas viários não foram projetados para receber um "pólo gerador de tráfego" de grandes proporções. Não existe espaço suficiente para a circulação de pedestres com segurança e para estacionamento de veículos.  

          Não existem ainda, transportes de massa, do tipo metrô ou ferrovia, próximo aos estádios, o que obriga o grande público utilizar ônibus em quantidade elevada, prejudicando ainda mais o trânsito de veículos no sistema viário da região dos estádios.

Guarani  Morumbi

Guarani

Morumbi

 

ACESSOS / SAÍDAS DO ESTÁDIO

            Como já citado nos itens anteriores, os acessos / saídas são em parte dificultados uma vez que não é possível circular em toda a volta dos estádios.

            No Beira – Rio e no Morumbi, o público das arquibancadas superiores acessam o estádio através de conjuntos de duas rampas dispostas em faces opostas do estádio.

Beira Rio

Morumbi

Este esquema obriga o público a percorrer distâncias acima de 100 metros em corredores internos até acessar as rampas de saídas.

No estádio do Guarani, existem apenas dois acessos / saídas do estádio, sendo uma para a arquibancada inferior e outra para a superior, também em lados opostos e sem possibilidade de uma interligação.

Guarani

 

CAMPO / ARENA

            Nos 3 exemplos estudados, apenas o futebol é contemplado. As pistas e áreas para saltos e arremessos de atletismo, quando existentes, não são homologadas pela federação para competições oficiais e são utilizadas apenas para aquecimento muscular nos treinamentos dos jogadores de futebol.

Guarani

Guarani

Todos os campos possuem as medidas oficias, com pequenas variações entre eles. Os gramados estão em boas condições, irrigados por sistemas automáticos computadorizados e eficiente sistema de drenagem do solo.

Morumbi  
Morumbi

O estádio Beira–Rio foi implantado com o eixo longitudinal formando um ângulo de 40 graus com a linha norte-sul, inviabilizando sua utilização no período matutino, pois às 9:00hs os raios solares incidem diretamente contra a meta do lado sul, prejudicando a visibilidade para o goleiro.

Beira-Rio

Beira-Rio

 

SEPARAÇÃO CAMPO / PÚBLICO

            Nos 3 estádios, a separação é feita por fossos com medidas inferiores às recomendadas pela FIFA.

Morumbi

Morumbi

    No estádio Beira-Rio, foram instaladas barreiras com arame farpado.

Beira-Rio

 Beira-Rio

Beira-Rio

No estádio do Guarani, o fosso é utilizado como circulação de acesso de parte do público às arquibancadas inferiores, não atendendo às normas de segurança em razão de sua largura.

Guarani

 

SEPARAÇÕES ENTRE SETORES DE PÚBLICO NAS ARQUIBANCADAS

            No estádio do Morumbi, grades de ferro separam setores de público nos 3 níveis de arquibancadas e impedem a visão do espetáculo para grande parte dos espectadores.

Morumbi

Morumbi  

Morumbi

Morumbi

  Morumbi

Beira-Rio

Beira-Rio

  Beira-Rio

 

SANITÁRIOS DE PÚBLICO

           Todos os sanitários para público nos estádios são sua pior parte. Estão com as peças mal distribuídas, com pouca iluminação e ventilação.

Morumbi

Morumbi

Morumbi

No estádio do Morumbi, foram construídos blocos de sanitários masculinos suplementares, distribuídos junto às circulações de público prejudicando sua largura.

Morumbi
Morumbi

 

BARES

            Os bares para venda de bebidas e alimentos estão localizados junto às circulações e suas instalações são precárias para atender corretamente o público.

Morumbi

 

VESTIÁRIOS

            Os vestiários do estádio do Morumbi são os que se apresentam em melhores condições. Com exceção aos de uso exclusivo da equipe principal do São Paulo Futebol Clube, os demais não tem uma sala de aquecimento muscular para ao jogadores.

Morumbi

Morumbi

Morumbi

As zonas molhadas têm as peças mal distribuídas, sem separação entre chuveiros e sanitários e, em alguns casos, estão em contato direto com os locais de troca de roupas.

Beira-Rio
Beira-Rio

O acesso dos jogadores e árbitros ao campo é feito por túneis que ligam o setor de vestiários diretamente à arena.

Morumbi
Morumbi

 

CAMAROTES

            Para aumentar a fonte de receita, os clubes construíram, em seus estádios, camarotes que são espaços diferenciados nas arquibancadas, com acessos exclusivos, poltronas confortáveis, ar condicionado, sanitários e bar próprios, com capacidades variáveis.

Beira-Rio

Beira-Rio

Beira-Rio

Estes espaços têm o seu direito de uso comercializado com empresas por tempo pré-determinado, e se constituem nos melhores locais dos estádios para assistir aos eventos.

Guarani

 

 

 

Guarani

Morumbi

Morumbi

Morumbi

Com a modernização prevista para todos os estádios, o número de camarotes tende a aumentar em todos eles.

 

COBERTURA

            Os estádios do Internacional e do Guarani têm apenas parte de suas arquibancadas cobertas por marquises de concreto.

Beira-Rio

Beira-Rio

 

Guarani

Guarani

 

            No estádio do São Paulo Futebol Clube, a arquibancada intermediária e parte da térrea são cobertas pela arquibancada superior. Uma falha de projeto faz com que toda a água de chuva recolhida na arquibancada superior seja lançada de forma concentrada por tubos sobre o público das arquibancadas inferiores.

Morumbi

Morumbi

Nos projetos de modernização serão feitos estudos para possíveis coberturas desses estádios.

 

ILUMINAÇÃO DO CAMPO

            Nos estádios do Guarani e do Internacional, a iluminação é deficiente, inferior à 1.000 Lux.

Beira-Rio

Beira-Rio

Guarani

Guarani

No estádio do Morumbi, o sistema de iluminação é moderno, executado sobre estrutura metálica espacial, e atinge à 1500 Lux .

Morumbi

Não existe, nos estádios, um sistema de geração de energia alternativo, capaz de manter pelo menos 2/3 dos refletores em atividade, conforme recomendações da FIFA. 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

        Os itens acima apresentados, ainda que superficialmente, demonstram as condições em que estes estádios e a grande maioria dos outros estádios brasileiros se encontram atualmente. Muito há que se fazer para corrigí-los, tanto em projetos de adaptações como nas obras posteriores.

         Todas estas intervenções têm valores muito elevados e os caminhos para sua viabilização estão sendo buscados pelos clubes através de parcerias com investidores e pelo poder público, o qual é proprietário de vários estádios em todo o Brasil, através de privatizações.

 

FONTE

site: www.arquitetura.com.br/coluna/edu/artigo1/edu_artigo1-16.htm

Texto elaborado pelo arquiteto Eduardo de Castro Mello