Reutilização de Materiais de Demolição


Antes da demolição materiais reutilizáveis como telhas, paredes e aberturas são retiradas sob algumas recomendações citadas a seguir:

- Para se retirarem as telhas é preciso primeiramente verificar a estrutura de quem irá retirá-las e a seqüência correta de execução é das telhas da esquerda para a direita e de baixo para cima - sentido inverso ao de colocação.
- As paredes dependem do tipo de reboco. As com reboco de barro bastam ser molhada para sua retirada; já as rebocadas com argamassa feita com açúcar (areia, cal, óleo) não são reaproveitados os tijolos pela dificuldade encontrada para se retirá-los.
- Quando as paredes são de madeira as aberturas são retiradas antes da desmontagem da parede e quando as paredes são de alvenaria, o procedimento é inverso - primeiro retira-se a parede e depois recolhem-se as aberturas.




Reuso de Materiais na Construção

A reutilização de materiais na construção é um problema que envolve vários fatores. Dentre eles o com maior peso é a questão econômica. Pois para desmontar um edifício, de forma tal que se aproveitem as peças, é necessário todo um cuidado especial, como mão de obra especializada e uma armazenagem correta. Os fatores positivos são: a responsabilidade ecológica, e no caso da madeira, trabalhar com um material apurado (que não trabalha mais).
Temos que considerar que o tempo transforma os materiais. Por exemplo, uma telha de cimento amianto, depois de 10 anos perde sua resistência, o que torna seu reaproveitamento muito difícil (pelo manuseio) e inviável economicamente. Já com as telhas de barro, em geral, acontece o contrário, elas melhoram seu desempenho, pois absorvem menos água, no entanto seu manuseio (e transporte) é também muito complicado. Os vidros, com o passar dos anos perdem sua pouca maleabilidade, e tornam-se extremamente rígidos, o que dificulta seu reuso, pois para cortá-lo é necessário muito cuidado, pois ele se estilhaça com muita facilidade. As madeiras podem ser consideradas um capítulo à parte, pois é o melhor material para reuso. Pois o tempo (que fique bem claro o tempo, não as intempéries) faz com que a madeira se estabilize, assim quando a reusamos ela não tem mais o que trabalhar. No entanto não é tudo um mar de estrelas, a desmontagem da edificação é muito complicada, e para reutilizar a madeira também. Temos que considerar que no madeiramento de um telhado temos muitos pregos e estes devem ser retirados com muito cuidado para não rachar a madeira. Claro que todo este trabalho só vale à pena se estivermos tratando de madeira de lei, pois com as outras a degradação é bem maior, e o tempo já não é mais tão bem vindo assim. Dificilmente conseguiremos reutilizar um forro de aglomerado, pois o tempo, a possível umidade que este tenha sido submetido, e a dificuldade de retirar o material sem estragar são desvantagens que pesam por demais, e no final das contas sairá mais barato comprar o material novo. E é exatamente este o ponto de maior dificuldade da questão do reuso se tornar algo corriqueiro, o lado financeiro, pois na maioria das vezes é mais barato e mais rápido comprar algo novo.




Reuso de Água


Empresa Produto Preço
Bella Calha Sistema de captação, filtragem e armazenamento de água de chuva (para telhados com área de até 200 m²). R$ 4 960 (filtro, freio d'água, sifão ladrão, conjunto de bóia e mangueira e reservatório de polietileno).
KNE Plast Mini-estação de tratamento de esgoto (para casas de até 6 pessoas). R$ 4 mil (caixa de gordura, caixa de inspeção, fossa séptica, caixa de passagem, septodifusor, reservatório, bomba e recalque).
Mizumo Modelo MF-800 (para casas de até 5 pessoas). Reúne todas as etapas de tratamento da água em um reservatório. R$ 5 mil (reservatório, caixa d'água e bomba).
Ycatú Modelo ECOmpact 2.5 (para casas de até 8 pessoas). Reúne todas as etapas de tratamento de água em um reservatório. R$ 3 750 (reservatório).

* preços médios fornecidos pelos fabricantes em maio de 2003.
Na ponta do lápis
Você quer instalar um sistema para captar água da chuva? Há uma continha que mostra se vale a pena o investimento: precipitação média da região x área do telhado x 0,85 (fator de perda) = volume disponível por ano Numa casa de 4 pessoas, o ideal é que essa conta dê 120 mil litros (média de 10 mil litros por mês). Para captar um volume razoável de água da chuva, a medida mínima do telhado é 100 m².
Reportagem: Marianne Wenzel

Reuso de Aberturas


Sobre o mercado de aberturas para reuso nós temos um grande mercado de peças com um valor agregado muito elevado e um mercado (praticamente de fundo de quintal) com peças populares. As aberturas antigas são muito apreciadas pela classe média por sua estética imponente e pelo valor histórico, logo é um mercado seleto onde compra uma elite que valoriza cada detalhe das peças. Justo, quanto mais velho mais caro. Já o mercado de aberturas de reuso populares é muito mais tímida, pois uma porta nova (popular) custa R$80,00, em média, e uma de reuso custa por volta de R$40,00. Ocorre o mesmo com janelas, e no caso do reuso popular, a dificuldade é maior, pois se a janela não é do tamanho padrão complica sua instalação (já que a maioria deste tipo de construção não é planejada). Logo, neste caso, quanto mais nova melhor e mais caro.
Quanto às portas e janelas mais antigas temos três problemas comuns. O primeiro é o tamanho destas aberturas, que costumavam ser muito maiores do que hoje em dia, logo o projeto deve adptar-se a estas esquadrias. O segundo problema é com as ferragens, costumam estar deterioradas, mas para trocá-las existe um problema de incompatibilidade com as ferragens modernas, sem falar que as estéticas são completamente diversas, o que encarece mais ainda este reuso, pois torna-se necessário ferragens específicas. E o terceiro são os vidros, que quando acontece de quebrar uma peça, ou troca-se todos os vidros ou tem que se procurar por vidros de época (que são totalmente diferentes de hoje, até na coloração).
Com estas duas classificações também existe o reuso de louças sanitárias e peças de azulejos para reposição. As lojas elitistas têm em geral poucas peças, todas selecionadas e de altíssimo preço. Já nas lojas populares as louças são empilhadas umas sobre as outras, de forma tal que até a visualização da peça é complicada, tem que se procurar os pares.
No comércio especializado em artigos de reuso refinado existem também artigos de reuso diferenciado, ou seja, que são usados para outras finalidades das que se destinavam antes. Por exemplo, uma roda de um antigo engenho vira um pilar que sustenta uma adega, ou dormentes (do trilho de trens) que se transformam e vergas e batentes de janelas e portas, ou até mesmo viram muros.
O reuso ainda é algo incomum para a maioria das construções, no entanto existe um esforço ecológico muito grande para que este se torne bem mais popular.







Telhas de papel reciclado cobrem galpões rurais

(Ada Liz Cavalhero)

A indústria sul-mato-grossense Tecolit aceitou o desafio de produzir telhas usando papel reciclado que iria para o lixo. Essas telhas são uma alternativa ao amianto - material empregado na produção de caixas d'água, telhas e peças acessórias para telhados de fibrocimento. Com preço entre 10% a 20% menor, em três anos, em três anos de fabricação a Tecolita, como foi batizada a telha "ecológica", vem conquistando consumidores de diversos estados.
"A telha é mergulhada em um material asfáltico, a uma temperatura de 180 graus Célsius, no qual permanece por uma hora. Isso garante a sua resistência", assegura o empresário Renato Graeff. Entre outras vantagens, os empresários destacam a flexibilidade e a leveza das telhas.
As telhas feitas com material reciclado também ajudam a reduzir os ruídos, funcionando como isolante acústico, e colaboram para diminuir a temperatura. A absorção de água é mínima, em torno de 1%, sendo que as telhas de barro retém entre 30% e 40% de água.
Por enquanto, o principal consumidor das telhas é o meio rural, que as usa na cobertura de galpões, cochos e barracões para avicultura, suinocultura e confinamento de bovinos. O próximo passo é melhorar a aparência do produto. "Estamos prontos para dar início ao desenvolvimento de um processo de pintura das telhas, hoje pretas", informa Graeff. As perspectivas de ganho de mercado aumentam mais com a possibilidade de proibição no Brasil do uso de amianto - tido como cancerígeno - defendida no Congresso Nacional.
GAZETA MERCANTIL, Por Conta Própria, São Paulo, 26/04/2000


Isopor e amianto ganham substitutos ecológicos

(Regina Scharf)


O Laboratório de Produtos Florestais do Ibama está desenvolvendo chapas de fibrocimento de celulose que podem ser convertidas em telhas e caixas d'água. A Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga, também estuda formas de substitir o amianto das chapas por resíduos agrícolas e escórias de alto forno de siderúrgicas. O amianto é cangerígeno e já foi banido em 42 países e poderá ser proibido também no Brasil.
Já a indústria de embalagens Kpack está lançando no país o sistema Corrupad, uma espécie de sanduíche de várias folhas de papelão ondulado reciclado, que pode substituir o isopor na embalagem de produtos manufaturados. A preocupação procede.
Vários países europeus rejeitam importados embalados em isopor, derivado do petróleo que leva centenas de anos para se degradar e não é reciclável. No ano passado, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista lançaram a bioembalagem, à base de de mandioca prensada quente, que pode substituir caixas rígidas de isopor e papelão para embalar alimentos.

Plástico Biodegradável


O Brasil já começou a produzir plástico biodegradável, feito a partir da cana-de-açucar. Um quilo de PHB, como é chamado o plástico, é obtido a partir de 3 quilos de açucar. A façanha brasileira foi conseguida pela Coopersucar, que investiu US$ 5 milhões. Esse tipo de plástico pode ser usado em embalagens, pentes, tampas de caneta e aparelhos de barbear, entre outros produtos. O plástico convencional leva em média 100 anos para se decompor, enquanto o PHB se decompõe em 6 meses.


Links:

Nutau.org.Br - (Núcleo de Pesquisa em Tecnologia) / Universidade Livre do Meio Ambiente / Instituto para Desenvolvimento da Habitação Ecológica / Facens - Iniciação Científica

 

Equipe:

Mariana

George

Simone

Camila

Prof. Anderson Claro

Tecnologia de edificação I

Curso de Arquitetura e Urbanismo - UFSC

julho de 2003