Departamento de Arquitetura e Urbanismo
    ARQ5661- Tecnologia da Edificação 1
    Instalações Elétricas
     Professor:    Anderson Claro

     Acadêmicos: Augusto Wagner Pereira
                     Leonardo Kothe
                     Ricardo Socas Wiese
                     Ulisses Munarim

                                                                          Florianópolis, Agosto de 2000
 


 
 
 

    1. Introdução

         A descoberta da energia elétrica provocou uma verdadeira (r)evolução na arquitetura. Sua aplicação, aliada ao desenvolvimento de novos equipamentos que a utilizam, permitiu aos arquitetos alçarem vôos maiores em seus projetos e deu origem a profundas mudanças nas cidades e edificações que as compõem.
         Após a invenção da lâmpada elétrica, a iluminação artificial se tornou cada vez mais inseparável da edificação. Agora, são possíveis edifícios de grande área construída, onde a luz natural não consegue vencer a profundidade em planta para iluminar alguns ambientes interiores.
         A luz artificial também permite utilizar as edificações à noite. Disso decorreu uma série de transformações nos hábitos de seus beneficiários, que agora podem trabalhar, divertir-se ou mesmo ler um livro em um período antes dedicado quase que exclusivamente para dormir.
         Outro fator que contribuiu para o aumento no porte das edificações foi a utilização da energia elétrica para fazer funcionar sistemas de ventilação artificial, possibilitando a renovação de ar em ambientes onde este não circulava de forma satisfatória.
        O desenvolvimento do elevador possibilitou um aumento sensível no número de pavimentos dos edifícios, e trouxe consigo uma mudança social nas formas de habitar: antes, os apartamentos mais valorizados e, portanto, habitados pelas classes sociais de maior poder aquisitivo, eram os dos pavimentos mais baixos; agora, os apartamentos são tão mais valorizados quanto maior o número de seu andar.
         Nas regiões frias, o homem já não depende mais da queima de combustíveis para garantir o conforto térmico de seu lar: ele pode fazer uso da energia elétrica aquecer os ambientes internos. O mesmo ocorre também, em ordem inversa, nos lugares de clima quente, onde aparelhos de ar-condicionado diminuem a temperatura de ambientes internos.
         Hoje, uma nova revolução se observa na arquitetura, agora provocada pelo encarecimento e produção insuficiente de energia elétrica. Afinal, se o consumo continuar crescendo no ritmo atual, em breve as cidades correrão grande riscos de racionamentos ou os usuários serão surpreendidos com aumentos expressivos em suas contas de energia.
        Os projetistas agora têm que preocupar-se com o desenvolvimento de edificações econômicas do ponto de vista energético, tanto na produção dos materiais que a constituem, quanto no próprio uso da edificação.
        Dessa revolução resultam conceitos como arquitetura bioclimática e projetos fantásticos como o do Pavilhão Britânico para a Expo 92, em Sevilha. Agora os arquitetos, mais do que nunca precisam pensar na complementaridade entre os ambientes artificial e natural.

    2. Instalações Prediais Elétricas

2.1 Introdução

        Para se chegar a uma instalação segura e eficiente, o primeiro passo é o projeto elétrico. Nele serão definidos os pontos de luz e eletricidade da casa, de acordo com as necessidades de cada ambiente e considerando os aparelhos eletrônicos a serem instalados. Nessa fase é previsto o uso dos equipamentos de maior carga elétrica e a implantação dos sistemas de computador, telefonia, segurança e até mesmo uma iluminação diferenciada, feita a partir de lâmpadas dicróicas e fluorescentes.
        Com base nessas informações, o projetista determinará o porte da instalação, estabelecendo circuitos, apontando a intensidade da corrente (amperagem) necessária e especificando os materiais elétricos que serão adquiridos. Tal especificação deve ser seguida rigorosamente, sob pena de todo o investimento na obra ser comprometido por um conjunto elétrico inadequado.
        O projeto elétrico totaliza entre 5 e 10% do custo total da obra, , sem considerar peças de acabamento, como espelhos de tomadas, lâmpadas ou luminárias. Como todos estes produtos requerem um alto padrão de qualidade, é conveniente conhecê-los a fundo para fazer deles um importantes aliados para a segurança e bom funcionamento da edificação.

2.2 Como a energia elétrica vai para sua casa

      A energia gerada pelas usinas não está na forma apropriada para o consumo.
         Para que ocorram poucas  perdas na transmissão por longas distâncias, no local em que a usina produz energia, ela é transformada, ou seja, sua tensão é modificada.
        Partindo  da usina em que a energia é gerada, ela passa por um primeiro transformador que eleva sua tensão para um valor da ordem de dezenas de milhares de volts a centenas de milhares de volts. A energia que vem de Itaipú para SP por exemplo está na forma de uma tensão de 750 000 V.
         Perto do centro de consumo, a energia sofre uma transformação no sentido de baixar sua tensão para um valor menor, mais apropriado para as redes urbanas, para ser levada para os bairros em fios colocados em postes comuns. Normalmente a tensão usada nesse caso é da ordem de 13 000 volts.
         Nos postes existem transformadores que fazem o "abaixamento final" da tensão de modo que ela possa ser usada de modo mais seguro nas residências.

2.3 A Instalação Básica

         A energia que chega em nossas casas deve ser usada para alimentar diversos dispositivos de dispositivos. O conjunto de fios e acessórios que levam a energia elétrica aos dispositivos alimentados forma a instalação elétrica. Os dispositivos alimentados podem estar permanentemente ligados à rede como, por exemplo, chuveiro, lâmpadas, campainha, etc., bem como podem ser ligados à rede por meio de tomadas de energia somente no momento em que serão utilizados, como é o caso de ventiladores, rádios, televisores, etc., o que permite sua mudança de lugar.
 
 



 














        - Entrada de energia, que consta de um conjunto de dispositivos ( fios e acessórios ) que vai da rede pública até o relógio de energia.
        - Ponto de entrega. Este é o ponto de transição de responsabilidade. Até este ponto a responsabilidade no fornecimento de energia é da empresa concessionária. A  partir deste ponto, o que ocorre com a energia é de responsabilidade do usuário.
        - Relógio medidor de consumo.
        - Dispositivos gerais de proteção e barra de terra.
        - Circuito primário de distribuição de energia.
        - Quadro de distribuição secundário com dispositivos de proteção.
        - Circuitos terminais que fornecem energia aos pontos de consumo como tomadas, lâmpadas, chuveiros, torneiras, aquecimento central, etc.

2.4 Elementos da instalação elétrica

    2.4.1 Caixa de Entrada

         A caixa de entrada de uma instalação elétrica é o ponto inicial de uma instalação elétrica domiciliar, por onde entra a energia na sua casa e onde existem alguns dispositivos importantes.Ela representa o ponto de separação entre o que você pode fazer numa instalação e  que portanto, é de sua responsabilidade e o ponto em que a empresa que fornece a energia passa a ter responsabilidade.
        Na figura 2 temos a representação de uma caixa de entrada típica em uma residência, em que a alimentação é feita por meio de três fios (monofásico de 3 condutores ). Nesta caixa de entrada temos duas tensões disponíveis, 110 V e 220 V, que podem ser utilizadas segundo os tipos de eletrodomésticos a serem alimentados.Os três fios da entrada vão dar em um "relógio" indicador de consumo e um conjunto de chaves com fusíveis e disjuntores ( dispositivos de proteção de entrada ). O fio central estará ligado a uma barra de terra.
 
 

____________________

2.4.2 A Chave Geral

         Passando pelo relógio, os três fios por onde chega a energia são ligados a uma "chave geral" que permite ligar e desligar a instalação elétrica de uma residência.
         Desta caixa de entrada ou condução saem três condutores que vão até uma segunda caixa ou quadro de  distribuição onde existem novos dispositivos de proteção e controle, além de uma chave geral.

2.4.3 Disjuntores

         O disjuntor é uma chave de proteção termo-magnética que desliga automaticamente quando a intensidade de corrente ultrapassa um certo valor.
         Uma vez que ocorra um curto circuito em algum aparelho numa instalação e o disjuntor interrompa  a corrente, basta que se verifique qual a causa deste curto e esta seja removida para que a corrente possa ser restabelecida, simplesmente rearmando-se o disjuntor.

2.4.4 Os fios

         Os fios usados numa instalação devem ser escolhidos com o máximo cuidado. Sua função é conduzir a corrente, e se eles não fizerem isso da maneira esperada, podemos ter problemas de segurança e funcionamento dos aparelhos alimentados.
         Existem dois tipos de fios.
        O primeiro tipo é o fio rígido utilizado nas instalações e que consiste num fio de cobre único isolado por uma capa de material plástico. Este fio é também denominado condutor sólido. Este fio é pouco flexível, por isso é utilizado em locais onde a instalação é definitiva, ou seja, nas próprias instalações, embutidos ou mesmo aparentes.
         O segundo tipo é denominado fio flexível ou simplesmente "cabo", formado por um conjunto de fios trançados ou compactados de modo que os fios de cobre  mais finos fiquem bem juntos, sendo isolados por uma capa plástica. Este tipo de fio apresenta grande flexibilidade e por isso é usado nas aplicações em que se deseja movimentar o aparelho movimentado.

2.4.5 Interruptores

         A finalidade dos interruptores nas instalações elétricas é abrir e fechar um circuito. Isso permite estabelecer ou interromper a corrente de modo a controlar o funcionamento do dispositivo alimentado.

 
 

3. Iluminação

    3.1 Introdução

         No início de sua história, o homem convivia com o medo da noite e sua impotência perante à escuridão. Quando chegaram ao domínio do fogo, os ancestrais humanos conquistaram também a noite, agora iluminada por fogueiras e tochas, o que permitiu ao homem estender parte de suas atividades diurnas noite adentro.
         Sempre visando o conforto visual e o exercícios das atividades relacionadas ao ambiente, foram desenvolvidos métodos para o melhor aproveitamento da luz solar e o melhor rendimento da luz artificial.
         Esses estudos culminaram no desenvolvimento da lâmpada elétrica que ampliou as possibilidades de iluminação e uso de ambientes internos não só durante a noite, mas também durante o dia, quando a luz do sol não se faz presente ou é inadequada para a função a que se destina o ambiente que deve ser iluminado. Isso faz com que o planejamento da iluminação seja um dos itens mais importantes em um projeto de instalação predial elétrica.
         O aspecto iluminação é extremamente ligado à arquitetura, e adquiriu conotações bem particulares em alguns casos, não cumprindo apenas a função de iluminar, mas também provocar emoções: a arquitetura religiosa, por exemplo, usou e abusou da iluminação para criar atmosferas místicas dentro de seus templos; palácios tinham sua estética realçada pelo uso de iluminação especial e hoje faz-se uso da luz dentro de cada ambiente para destacar aspectos da arquitetura, objetos de arte e quadros.

    3.2 Classificação do tipo de lâmpada seguindo a natureza da luz

3.2.1 Incandescentes

        Comuns ou decorativas, são indicadas para iluminação geral. Incandescentes comuns são mais baratas, mas grande parte da energia é convertida em calor. Esse é um de seus inconvenientes, pois num ambiente onde a temperatura é mantida por sistema de ar-condicionado o consumo energético é ainda maior. Sua vantagem é que a reprodução de cores é muito semelhante a da luz solar. Tem vida útil média de 1000 horas, com o passar do tempo, ocorre o escurecimento do bulbo.

________

3.2.2 Halógenas

         As incandescente halógenas duram cerca de 2000 horas e não escurecem o bulbo com o passar do tempo, sendo um pouco mais caras. Têm brilho intenso, realçam objetos.

3.2.3 Halopar

        Ideais para iluminação de destaque. Substituem as incandescentes refletoras, com a vantagem da luz halógena.

3.2.4 halógenas Palito

        Tem ótima reprodução de cores, alto fluxo luminoso, podem ser usadas diretamente na rede elétrica.

3.2.5 Halógenas de Bipino

         Usadas principalmente em embutidos, tem ótima reprodução de cores.

3.2.6 Dicróica

        Usada em iluminação decorativa e de destaque. As halógenas com refletor dicróico concentram o facho de luz em ângulos bem pequenos, obtendo altos níveis de iluminação em objetos iluminados a distância que chega a 12 metros.

3.2.7 Halospot

        Tem capa de proteção antiofuscante. São perfeitas para a iluminação de efeito à média e longa distância. Possuem graus de abertura que variam de 40 a 240.

3.2.8 Fluorescente

        Lâmpada fluorescente é aquela que utiliza a descarga elétrica através de um gás para produzir energia luminosa. Têm recebido grandes investimentos no desenvolvimento de equipamentos com maior eficiência, ou seja, consumir menos Watts e produzir mais lumens. No Brasil há uma longa geração de lâmpadas tubulares, com apenas 16mm de diâmetro, grande eficiência e maior vida útil. Antes as lâmpadas fluorescentes produziam cerva de 70 lumens/Watt e tinha uma durabilidade de 12.000 horas, as novas lâmpadas estão apresentando 103 lumens/Watt e uma vida de 16.000 horas.

3.2.9 Eletrônicas

        Economizam 80%, com durabilidade de 10.000 horas. Por terem soquete E-27 pode ser colocas em plafons e arandelas.

3.2.10 Compactas

        Necessitam de reator,  têm uma excelente distribuição de luz, além de serem econômicas e duráveis.

3.2.11 Fluorescentes Tubulares

        Existem os mais diversos tipos, prefira as que possuem melhor reprodução de cores.

3.2.12 Lâmpadas Infravermelhas

         Trabalham com temperaturas do filamento baixas, já que o objetivo não é iluminar e sim terapêutico. Seu filamento emite energia no comprimento infravermelho de 104 a 106 angstrons. Sua vida útil é de 5000 horas. Têm inúmeras aplicações como na secagem de tinta e  na criação de animais.

3.2.13 Lâmpadas Germicidas

         As lâmpadas germicidas são utilizadas na industrialização e preservação de alimentos em geral: conservas, queijos, geleias, compotas de frutas, verduras, frutas frescas; na fabricação de cerveja ( principalmente nas operações de lupulagem fermentação e engarrafamento); na indústria de carne (frigoríficos em geral); na fabricação de sorvetes, na indústria de panificação e em particular na indústria farmacêutica, no preparo de antibióticos em geral. As lâmpadas germicidas são utilizadas ainda para a esterilização em hospitais, salas de operação, seções de isolamento e mesmo nos quartos dos doentes; salas de autópsia, enfermarias em geral e berçários. Na higiene de ambientes como escolas, escritórios, fábricas, gabinetes médico-dentário, bares, restaurantes entre outros.
         A exposição direta dos olhos ou pele de pessoas e animais aos raios desta lâmpada poderá provocar conjuntivite e eritemas, devendo por isso ser observadas as recomendações abaixo:
Distância da lâmpada Tempo máximo de exposição direta permitido
 
 
20 cm 
10 segundos
40 cm
1 minuto
200 cm
10 minutos
400 cm
 40 minutos

         Nos casos em que haja necessidade de permanência de pessoas próximas à lâmpada, é recomendado protegê-las com anteparos de materiais opacos ou mesmo vidros transparentes (neutralizam os raios germicidas)

3.2.14 Lâmpadas de Luz Negra

         As lâmpadas tubulares de luz negra são a vapor de mercúrio a baixa pressão., construídas num bulbo de cristal que absorve as radiações visíveis, deixando apenas passar os raios ultravioleta de ondas longas. A forma tubular das lâmpadas são especialmente indicadas para os casos em que é desejada uma irradiação uniforme de grandes superfícies a curta distância. As lâmpadas ovóides de luz negra são lâmpadas a vapor de mercúrio a alta pressão, compostas por um tubo de descarga e um bulbo de cristal.
        Sua instalação e funcionamento não oferecem dificuldades, entretanto deverão somente ser instaladas nas redes de corrente alternada, necessitando de reator para ligar o circuito. As radiações ultravioletas de ondas longas são inofensivas para os olhos. Possuem inúmeras aplicações entre elas na luminotécnica e publicidade, para truques e efeitos especiais de iluminação de cenários, painéis, vitrines, bares, boates e restaurantes, e na medicina, para exame de células, tecidos, urina, etc...

3.3 Classificação do tipo de luminária segundo a forma de aplicação da luz

 

3.3.1 Luminária Comum

         É a forma mais encontrada de aplicação da luz, que se dispersa por todo o ambiente. Dependendo da necessidade e da potência da lâmpada, pode ser usada isolada ou em série.
        Deve ser evitada quando o pé-direito do ambiente for muito baixo, pois como não controla a direção da luz, pode causar ofuscamento.
 
 
 
 

  -----------------------------
 
 
 
 
 
 
 

3.3.2 Luminária Direcionadora de Luz

         Também muito utilizada, mas é principalmente aplicada quando há necessidade de direcionar o foco da luz. Muitas possuem refletores o que melhora ainda mais a eficiência da luz focalizada. É preciso evitar que se direcione para a altura dos olhos das pessoas que transitem no ambiente.
 
 


 
 


 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.3.3 Luminária de Luz Indireta

         Seu efeito estético peculiar atrai muito os projetistas. É usada para valorizar formas arquitetônicas e objetos decorativos, e como a luz não incide diretamente aos olhos, causa um conforto visual muito agradável.
 
 


 
 


 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.3.4 Luminária Decorativa

         Não precisar ter necessariamente a função de iluminar, pois a sua função é muito mais estética.
 
 


 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.3.5 Luminária com Refletores e Aletas Parabólicos

        Esse tipo de luminária, apesar de ter um nome bastante estranho é muito comum em locais de trabalho e estudo. Desenvolvidas para lâmpadas fluorescentes, distribuem bem a iluminação pelo ambiente, produzindo um excelente conforto visual, evitando reflexões diretas ou indiretas nos olhos ou aparelhos como telas de micro e televisão.

3.3.6 Tubos

         Usados quando quer se instalar a iluminação sem mexer na arquitetura do ambiente ou simplesmente por  terem um efeito diferenciado.
 
 

__________________
 
 
 

3.4 Dicas para Iluminação

        Para aumentar a eficiência energética e a qualidade dos ambientes em uma edificação, deve-se pensar na complementaridade entre a luz natural e artificial. O projetista precisa considerar a integração entre os dois tipos de fonte de luz e, para isso, é fundamental o conhecimento básico tanto da luz natural quanto dos tipos de equipamentos de iluminação a serem utilizados na arquitetura. No projeto de iluminação, uma de suas principais decisões é a definição dos sistemas artificial e natural. Cada componente desse sistemas (lâmpadas, luminárias, reatores, sistemas de controle, janela...) tem desempenho e qualidade diferentes, que depende do tipo de tecnologia empregada em sua fabricação. A eficiência do sistema de iluminação artificial  adotado no projeto depende do desempenho particular de todos elementos envolvido como da integração feita como sistema de iluminação natural.
        Um projeto de iluminação deverá ser feito levando em consideração as dimensões do ambiente, bem como sua função, a idade média dos ocupantes do recinto (o nível de iluminação será maior quanto maior for a idade destes ocupantes) e a quantidade  de horas que estas pessoas ficarão expostas à iluminação artificial.
        A distribuição uniforme das luminárias é um fator importante. Quando o fluxo luminoso de fonte de alta luminosidade incide diretamente ao olhos, causa uma sensação de mau estar. Deve-se evitar fontes de luz de grande potência no ângulo de visão das pessoas (pode-se solucionar este problema elevando a luminária ou colocando colmeias e grades nas mesmas). Escolher com critério os aparelhos de iluminação e o tipo de lâmpada que deva ser empregada, é de extrema importância num projeto de iluminação para que o ambiente não tenha suas cores deformadas e a decoração prejudicada.
Iluminação é parte de um projeto global. Ela define em muitos casos as características do ambiente: se ele é alegre ou triste, frio ou quente, comercial ou íntimo. A iluminação de cada ambiente deve ser principalmente projetada de acordo com sua função, valorizando sempre o conforto visual.
 
 



 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.4.1 Iluminação Residencial

         Cada ambiente da residência possui uma função específica, por isso vamos analisar o melhor tipo de iluminação artificial para cada um separadamente.

3.4.1.1 Hall de Entrada

         Normalmente a intensidade de luz dentro dos elevadores e corredores dos edifícios é baixa, portanto evite usar muita iluminação no hall de entrada. Uma luz geral de baixa intensidade e um ou dois focos de lâmpada dicróica voltados para elementos de decoração é mais que suficiente, criando um clima agradável e acolhedor.

3.4.1.2 Sala de Estar

         Evite abusar de lâmpadas halógenas e dicróicas, que devem ser usadas para destaque. A melhor opção é trabalhar com circuitos diferentes para acender a iluminação em várias etapas ou a utilização de "dimmers" (interruptores que regulam a intensidade da luz). Focos dirigidos sobre os sofás além de ofuscar os convidados, criam sombras incômodas no rosto das pessoas que estão sentadas, e ainda criam um clima impessoal de vitrine.  O ideal para uma sala de estar são lâmpadas difusas em abajures ou pedestais, podendo também utilizar luminárias de coluna com lâmpadas halógenas dirigidas para o teto. No caso do living com teto rebaixado, utilize luminárias direcionáveis dirigidas para os quadros ou objetos de decoração

3.4.1.3 Sala de Jantar

        Mesas e bares se beneficiam de uma luz superior em sua direção, e uma lâmpada pendente com o bulbo de tungstênio emite um brilho quente e suave ideal para este ambiente. O ideal é manter uma distância de 60 a 80 cm entre a luminária e a mesa, pois se ela estiver muito baixa, a luz fica excessiva e acima desta distância, ofusca as pessoas que ali estão. Não deve-se utilizar lâmpadas halógenas ou incandescentes que projetam luz marcante e irradiam muito calor.

3.4.1.4 Cozinha

        A cozinha é um ambiente de trabalho e a luz adequada é essencial para evitar dedos cortados no lugar de cebola. Lâmpadas embutidas no vão abaixo dos móveis da cozinha, como as halógenas, refletores e tubos fluorescentes, irão criar luz clara, brilhante e sem sombra. Lâmpadas de baixa reprodução de cores podem confundir e mascarar alimentos impróprios para o consumo. Fluorescentes são muitas vezes erroneamente consideradas como fora de moda, porém elas são ideais ao trabalho.
 
 



 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.4.1.5 Dormitório

        A luz do quarto deve ser mais funcional do que romântica, porque muitas pessoas usam este ambiente como uma segunda sala de estar ou estudo, no qual trabalham, escrevem cartas, lêem e descansam. O ponto de luz no centro do quarto vai, invariavelmente, ofuscar quem se deitar, além de projetar sombra de seu próprio corpo contra o guarda roupa e espelhos. O ideal é distribuir iluminação por todo o aposento de acordo com sua utilização e seus hábitos pessoais. É interessante um "dimmer" para regular a luz na intensidade mais conveniente segundo a atividade a ser exercida. Também é importante uma luminária de cabeceira com luz suave para leitura ou para não ser ofuscado ao levantar no meio da noite. No closet é melhor luzes de todos os lados do que sobre a cabeça para evitar as sombras. É interessante por luzes dentro do guarda-roupa para ajudar na escolha do que se vai vestir, e um dispositivo semelhante ao da geladeira tornaria tudo mais prático. {quarto.jpg}

3.4.1.6 Banheiro

        Água e eletricidade são uma combinação perigosa, e qualquer manejo na parte elétrica deste cômodo deveria ser feito por um profissional, usando lâmpadas, aparelhos e bulbos especialmente projetados para lugares úmidos. Há arquitetos radicais que dizem que a luz deveria ser operada por uma corda de puxar, como em alguns ventiladores, ou de fora do banheiro. Mas lâmpadas de baixa voltagem podem ser usadas com segurança se os bulbos forem lacrados para proteção contra vapor e condensação. O banheiro é um lugar para relaxar depois de um dia de trabalho, por isso a luz deve ser tênue. Luz pendente pode ser excessiva e provocar muitas sombras, por isso crie luz por todos os lados através de luzes de parede. Coloque-as acima da altura dos olhos para promover uma iluminação mais agradável. O espelho do banheiro requer um cuidado especial, pois é nele que as pessoas irão fazer a barba, passar maquiagem, etc. Uma boa dica é usar lâmpadas de tungstênio em volta do espelho como nos camarins, porque ela projeta uma luz mais quente na face, evitando o efeito depreciativo associado a banheiros de restaurantes e bares.
 
 



 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.4.2 Iluminação Comercial e Administrativo

        Nos locais como escritórios, lojas e bancos, supermercados e escolas em que as instalações funcionam várias horas por dia. É econômico para tais estabelecimentos a utilização de lâmpadas fluorescentes. Além de econômicas são fontes de baixa iluminação, por isso permitem mais fácil controle do deslumbramento. Em locais onde se instalará ar condicionado, é inaceitável utilização de lâmpadas incandescentes, devido a sua grande produção de calor. As luminárias deverão ser simples, funcionais e de alto rendimento, fácil limpeza e manutenção.
        Na iluminação geral de lojas, em que o nível de iluminação e a reprodução correta das cores são muito importantes, dá-se preferência as cores de cor branca fria e branca morna de luxo. Em vitrines poderão ser usadas lâmpadas incandescentes refletoras brancas ou coloridas, de alto efeito decorativo para realçar determinado produto.


 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.4.3 Iluminação de Fábricas

        Nas indústrias cujos galpões sejam de altura pequena (3 a5m) as lâmpadas fluorescentes são as mais indicadas. Naquelas em que o pé-direito seja maior (iluminação acima de 6m do campo de trabalho) as lâmpadas de vapor de mercúrio são as mais indicadas. Em casos especiais de grandes alturas de montagem e onde não seja importante o fator "reprodução das cores", poderá ser estudada a utilização de lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão.
        Na iluminação industrial, se houver a existência de vapores corrosivos e de poeira excessiva nos ambientes, é necessário emprego de luminárias herméticas.

3.4.4 Filtros

        Filtros se assemelham a lentes que são colocadas em algumas luminárias com compartimentos especiais para eles. Eles possuem várias funções e aqui estão alguns dos mais comuns.


 



3.4.4.1 Filtros Cromáticos

        Estes filtros cromáticos atuam por interferência, produzida por pares de materiais dielétricos de índices de refração e espessura apropriados, colocados sobre uma camada base de vidro ou outro material. O resultado é uma efeito de dupla cor: uma cor ativada pela transmissão e outra complementar pela reflexão.
 
 


 
 
 


 










3.4.4.2 Filtros Anti-UV

        Os raios ultravioleta emitidos pelas lâmpadas pode causar danos tanto a pessoas como objetos. Assim, os Filtros Anti-UV garantem a eliminação destes danos diminuindo o efeito dos raios a um nível não prejudicial. São muito utilizados em luminárias para a iluminação de obras de arte em museus onde os raios ultravioleta podem causar danos irreparáveis.
 
 


_________________________


 









3.4.4.3 Filtros Corretores

         Os Filtros Corretores, produzidos com a deposição em multicamadas de filme dielétrico no alto vácuo, oferecem controle da colorometria dentro da banda visível do espectro luminoso. Estes filtros têm a função de regular o espectro luminoso resultando numa percepção visual excepcional particularmente nas vitrines como nas carnes, pães, doces, jóias, prata e vidro sem alterar o ambiente imediato.

- Filtro para vitrines com carnes 

-Filtro para vitrines com pães e doces 

  -Filtro para vitrines com jóias, prata, vidro e cristais 
 
 
 
 
 

3.5 Alguns conceitos sobre iluminação

3.5.1 Temperatura de cor

        Quando falamos em luz quente ou fria, não estamos nos referindo ao calor físico da lâmpada, e sim ao tom de cor que ela dá ao ambiente. O sol é o referencial que serve como parâmetro para vários conceitos. Ao amanhecer o sol tem o tom mais avermelhado, mais quente, à medida que o dia vai passando, sua luz vai ficando mais amarela até se tornar bem branca, depois volta a ficar alaranjada no final do dia. A observação deste fenômeno a milhares de anos, regulando a vida de nossa espécie, nos dá a medida de como iluminar os diversos ambientes da casa.
        Ao acordarmos o sol está vermelho, sua luz tem um tom mais quente, a medida que o dia avança e nossas atividades aumentam, a luz dos sol vai ficando mais fria. Em um dia nublado, a luz fica com um tom quase azulado e é quando desenvolvemos com muito mais vigor nossas atividades. No final da tarde quando pensamos em relaxar, a luz volta e fica mais quente. Assim, observando a natureza percebeu-se que a luz mais quente dá um maior aconchego e a luz mais fria maior atividade.
        Nas lâmpadas esta temperatura é medida em graus Kelvin (oK) e quanto maior for o número, mais fria é a cor da lâmpada. Ex.: Uma lâmpada de temperatura de cor de 2700oK tem tonalidade quente, uma de 7000oK tem tonalidade muito fria. O ideal em uma residência é variar entre 2700oK e 5000oK.
        Em sua casa, as áreas sociais e dormitórios, devem ter o tom mais quente ou  neutro chamando ao relaxamento e ao aconchego. Já as áreas de serviços, cozinhas, banheiros, home-office e salas de estudos devem ter tom neutro ou frio, induzindo maior atividade.
        Hoje estão disponíveis no mercado lâmpadas fluorescentes com uma nova tecnologia que permite apresentar várias temperaturas de cor. Antes elas só existiam em tom frios e, como estas lâmpadas emitem menos calor, são erroneamente  chamadas de lâmpadas frias. Atualmente já são usadas na casa inteira e com grande efeito decorativo. As fluorescentes compactas substituem com vantagens as lâmpadas comuns, inclusive na temperatura de cor.

    3.5.2 Reprodução de Cores

         Um dos pontos mais importantes da decoração de ambientes é a harmonia e combinação das cores, porém isto pode ser prejudicado se você não escolher as lâmpadas adequadas. A reprodução de cores de uma lâmpada é medida por uma escala chamada IRC (Índice de Reprodução de Cores). Quanto mais próximo este índice for ao IRC 100 (dado à luz solar), mais fielmente as cores serão vistas na decoração. Isto ocorre porque, na verdade, o que enxergamos é o reflexo da luz que ilumina os objetos, já que no escuro não vemos as cores.
         A luz é composta pelas sete cores do arco-íris e os pigmentos contidos nos objetos tem a capacidade de absorver determinadas cores e refletir outras. Portanto, a qualidade de reprodução de cores da lâmpada utilizada vai influir diretamente nas cores da decoração, alterando ou mantendo as cores escolhidas.
         Um exemplo claro disto é quando compramos uma roupa em uma loja e depois ao sairmos vestidos durante o dia, percebemos que a cor não era exatamente aquela. A capacidade das lâmpadas reproduzirem bem as cores (IRC) independe de sua temperatura de cor (oK). Existem tipos de lâmpadas com três temperaturas de cor diferentes e o mesmo IRC. Em uma residência devemos utilizar lâmpadas com boa reprodução de cores (IRC acima de 75), pois a cor é fundamental para o conforto e beleza do ambiente.

3.5.3 Eficiência e Economia

         Provavelmente estas não são as primeiras palavras que vem em sua mente quando você pensa em comprar lâmpadas para iluminar sua casa. Geralmente você está pensando em beleza e destaque para sua decoração ou ainda em deixar a casa clara e bem iluminada.
         Eficiência de uma lâmpada é a maneira como ela consome energia elétrica. As lâmpadas incandescentes e halógenas, 80% da energia utilizada é transformada em calor e apenas 15% gera luz. Toda esta energia transformada em calor é lançada no ambiente causando aumento da temperatura e desconforto. As lâmpadas fluorescentes e as fluorescentes compactas (Energy Saver) tem outra maneira de funcionar, produzindo mais luz e quase não emitindo calor. Então, podemos dizer que uma lâmpada é mais eficiente à medida que a maior parte da energia consumida por ela é destinada à produção de luz.
         Estima-se que uma boa parte do consumo de energia elétrica de uma casa seja usado na iluminação e este gasto pode ser reproduzido consideravelmente com a troca de lâmpadas convencionais por lâmpadas de alta tecnologia economizadoras de energia, sem nenhum prejuízo no nível de iluminação e com uma série de benefícios, como por exemplo: a redução do volume de calor lançado no ambiente diminuição da troca de lâmpadas, pois elas além da economia no consumo, têm a vida útil 10 vezes maior que as lâmpadas idescentes.
         A diferença de usar uma lâmpada eficiente e de alta tecnologia ou uma lâmpada você só percebe na hora da conta de energia, pois o volume de luz é o mesmo.

3.5.4 Levantamento da Carga de Iluminação

3.5.4.1  Condições para estabelecer a quantidade mínima de pontos de luz:

        - prever pelo menos um interruptor no teto, comandado pelo interruptor de parede;
        - Arandelas no banheiro devem estar no mínimo, 60 cm do limite do boxe.

3.5.4.2 Condições para se estabelecer a potência mínima de iluminação:

        - Para área igual ou inferior a 6m2 - atribuir um mínimo de 100VA;
        - Para área superior a 6m2 - atribuir um mínimo de 100VA para os primeiros 6m2 - acrescido de 60VA para cada 4m2 inteiros.

3.5.4.3  Recomendações da NB-3 para o levantamento da carga de tomadas

         Condições para se estabelecer a quantidade mínima de tomadas de uso comum (são aquelas que não se destinam 'a ligação de equipamentos específicos e nelas são sempre ligados: aparelhos, móveis ou portáteis como secadores de cabelo, furadeiras, aspirador de pó...)
        - Cômodos com área igual ou inferior a 6m2 - no mínimo uma tomada;
        - Cômodos com mais de 6m2 - no mínimo uma tomada para cada 5m ou fração de perímetro espaçadas lde;o uniformemente quanto possível;
        - Cozinhas, copas, copas cozinhas - uma tomada para cada 3,5m ou fração do perímetro independente da área;
        - Subsolos, garagens, varandas e sótãos - pelo menos uma tomada;
        - banheiros - no mínimo uma tomada junto ao lavatório com uma distância mínima de 60cm do limite do boxe.

        Tomadas de uso específico são aquelas destinadas à ligação de equipamentos fixos e estacionários, como é o caso do chuveiro, torneira elétrica, secadora de roupa... a quantidade destas tomadas é estabelecida de acordo com o número de aparelhos utilizados com corrente nominal superior a 10A.
 
 
 
 

    4. Bibliografia

 
 
 
 
 
 
 

    ANEXO

Pavilhão Britânico em Sevilha - Expo 92
 

        O pavilhão, projetado para abrigar um máximo de 20.000 visitantes em dias com temperaturas externas superiores  a 40º C, é uma construção de 25 metros de altura, 70 metros de comprimento e 40 metros de profundidade. A massiva estrutura é suportada por vigas e estruturas metálicas. A parede da fachada frontal, uma cortina de vidro, está pendurada na estrutura principal: painéis plásticos são presos na malha estrutural e empregados nos lados do edifício, parecendo verdadeiras "velas".
         O calor produzido pela radiação direta do sol é absorvido pela parede voltada para o oeste, que é constituída de tanques de água.
         A grande massa de água de que é constituído este lado do edifício atua como isolante térmico: o ar quente aquece lentamente a parede durante o dia; durante a noite a água quente flui embaixo do pavimento térreo: enquanto o edifício recebe a radiação  no outro lado, esta massa de água esfria e consequentemente, resfria as dependências internas do pavilhão. A água que flui pela parede de vidro voltada para o leste cria um efeito de resfriação adicional.
         Os painéis solares situados no telhado captam energia para o bombeamento da água.
        A face sul é protegda por painéis externos tipo "shading",  que parecem "velas" na cortina da fachada.
         A cobertura é protegida por "shadings" solares de metal prensado em forma de barbatanas e tiras cobertas de branco onde os coletores solares foram montados.
         O projeto do edifício é caracterizado pelo sistema passivo de economia de energia, que condiciona o funcionamento conjunto dos vários componentes.
         A temperatura no interior é reduzida em mais de 10º C nos dias mais quentes, quando as temperaturas externas superam os 40º C. Tal efeito é conseguido com a utilização de todos os dispositivos de resfriamento passivos já descritos.
         A economia total de energia conseguida com este sistema é de 31%.
         O pavilhão foi projetado por Nicholas Grimshaw e o sistema de resfriamento passivo foi desenvolvido por Ove Arup & Partners.

Tradução livre de Marcelo Bonilla
 
 
 Volta para ARQ5661            Críticas e Sugestões